- Nº 2741 (2026/06/11)

Irão exige condições de segurança efectivas

Internacional

O Irão não abdica de incluir o Líbano num futuro acordo de paz para o Médio Oriente e retaliou face aos ataques israelitas contra Beirute. As autoridades iranianas acusam os EUA de serem os principais responsáveis pela tensa situação que se vive na região.


A troca de ataques bélicos entre Israel e Irão, na noite de domingo e às primeiras horas de segunda-feira, representou uma nova escalada da situação no Médio Oriente, onde vigorava um cessar-fogo durante o qual não cessou a ofensiva sionista no Líbano.

Depois de Israel atacar os subúrbios sul de Beirute, poucos dias depois da entrada em vigor de um prolongamento do cessar-fogo e apesar do “pedido” norte-americano para não atacar a capital libanesa visando manter em curso o processo de negociação, o Irão respondeu atacando diversos alvos em solo israelita – principalmente a base aérea de Ramat David, origem das operações israelitas na actual ofensiva contra o Líbano. O Irão tinha avisado que qualquer ataque israelita contra Beirute teria a devida resposta.

Quanto à possibilidade de renovação do cessar-fogo, que tem sido adiantada em alguns órgãos de comunicação, o Irão realça que caso os ataques israelitas ou os crimes de Israel e dos EUA continuassem no Líbano, e não apenas em Beirute, o confronto seria retomado e o Irão responderia «com mais força e abrangência do que antes».

Explicando a estratégia iraniana, o presidente do parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf garantiu que a diplomacia e a acção militar não se excluem: nem a diplomacia impede as operações militares nem estas impedem a diplomacia. De modo a prevenir ataques contra o Líbano, o Irão combina dissuasão, pressão diplomática, suspensão de negociações e, quando tal for imprescindível, acção militar directa. O objectivo, afirmou, não é normalizar as relações com os EUA, mas pôr fim à guerra e alcançar uma segurança duradoura para o seu país e para a região.


«Contraditória e absurda»

O Presidente dos EUA, Donald Trump, veio a público ameaçar Israel para que cessasse os combates no Líbano, de modo a que fosse possível a curto prazo fechar um acordo de paz com o Irão. No entanto, é evidente a coordenação militar entre Washington e Telavive, pelo que nenhuma ofensiva israelita – seja contra o Líbano, seja contra o Irão – é possível sem o conhecimento e a participação norte-americana.

Isso mesmo foi denunciado por Esmail Baghei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, que responsabiliza os EUA por todos os ataques e tensões, qualificando de «contraditória e absurda» a sua política para o Médio Oriente. Em conferência de imprensa, o representante iraniano garantiu que israelitas e norte-americanos «dividem tarefas e papéis, recaindo nos EUA a responsabilidade principal». Os actuais acontecimentos na região, acrescentou, resultam fundamentalmente da violação do direito internacional por parte dos EUA.

Realidade desmente propaganda

Por mais que os EUA insistam em declarar-se como “vencedores” da guerra contra o Irão, recorrendo mesmo a termos enfáticos (“vitória histórica”, “arrasámos”), a realidade desmente esta versão.

Segundo a BBC, insuspeita de quaisquer simpatias pró-iranianas, o Irão danificou duas dezenas de instalações militares norte-americanas em oito países do Médio Oriente, causando elevados prejuízos. Para a estação britânica, os danos foram mais extensos do que a administração norte-americana admitiu publicamente: bases militares, sistemas de defesa aérea, aviões de abastecimento e radares contam-se entre as instalações e equipamento afectados, com destaque particular – pela sua importância e custo – dos sistemas antimísseis Thaad, instalados nas bases de Al Ruwais e Al Sader, nos Emirados Árabes Unidos, e na base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia.

A realidade está a mostrar também como eram falsas as sucessivas afirmações da administração norte-americana que as forças militares iranianas tinham sido “praticamente destruídas”.