- Nº 2741 (2026/06/11)
Em finais de Janeiro de 1912 teve lugar a primeira greve geral em Portugal. Realizada num contexto de fortes lutas operárias, nos principais centros industriais e no Alentejo, que marcaram os últimos anos da Monarquia e os primeiros tempos da República, a greve teve sobretudo reivindicações políticas: a reabertura das associações de classe e a libertação dos sindicalistas presos em virtude de lutas anteriores. Surgida da solidariedade aos trabalhadores rurais alentejanos, e à forte luta realizada em 1911, a greve geral de Janeiro de 1912 generalizou-se à região Sul: Lisboa, Vila Franca de Xira, Moita, Seixal, Setúbal. Entre 29 e 30 de Janeiro, «a capital e os seus arredores estiveram completamente paralisados, nas mãos dos trabalhadores», como descreveu Elias Matias na sua obra “O Alentejo em luta”, de 1985.
No jornal operário O Germinal, acusava-se os republicanos de ignorarem «os processos da educação social dos operários portugueses, libertados hoje de toda a tutela política, unidos numa aspiração supremamente bela – a liberdade e o pão para todos». A incapacidade da República de atender às reivindicações da classe operária, que contribuiu para o derrube da Monarquia, contribuiu para o crescente isolamento do novo regime e, mais tarde, para a sua derrota às mãos dos militares e das forças mais conservadoras e reaccionárias, a 28 de Maio de 1926.