- Nº 2741 (2026/06/11)

Agricultores afectados pelas tempestades desesperam

Nacional

Quatro meses após a tempestade Kristin ter devastado a região Centro e de o ministro da Agricultura ter anunciado milhões de euros de apoios para os agricultores afectados, apenas 1 por cento dos prejuízos foi alvo de apoio pago.

Lusa

A denúncia da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) baseia-se nos dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas (IFAP), que «revelam atrasos inaceitáveis na análise, aprovação e pagamento das candidaturas submetidas pelos agricultores».

Segundo o INE, foram apresentadas cerca de 7,7 mil candidaturas e declarações de prejuízo, correspondendo a danos declarados superiores a 550 milhões de euros (206 milhões de euros na região Centro, 167 milhões de euros em Lisboa e Vale do Tejo e 180 milhões de euros no Alentejo).

Já os últimos dados publicados pelo IFAP apontam para um total de 847 candidaturas que correspondem a 5,6 milhões de euros de apoios, valores muito aquém dos prejuízos reclamados.

«Estes atrasos devem-se desde logo à falta de meios, nomeadamente de recursos humanos das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) para avaliar as candidaturas apresentadas pelos agricultores», explica a CNA em nota de 5 de Junho, recordando que a CCDR territorialmente competente «deve analisar e aprovar as candidaturas submetidas, no prazo de 15 dias úteis após a respectiva submissão. Mas estes prazos não estão a ser cumpridos.»

«A falta de transparência é também por demais evidente, tendo em conta que não há dados actualizados de forma regular do número de candidaturas submetidas, analisadas e pagas», critica a Confederação, exigindo que essa informação «esteja acessível com dados referentes a cada uma das CCDR, de forma aberta e de fácil consulta».

Segundo a CNA, «todo este processo, incluindo naquilo que (não) está a chegar aos agricultores, revela também a falta de vontade política para uma efectiva resposta à calamidade que atingiu milhares de agricultores», uma «opção que se expressa ainda no plano florestal com os indisfarçáveis atrasos na remoção da madeira e desobstrução de caminhos agrícolas e florestais que continua – quatro meses depois – em grande parte por concretizar».

Por tudo isto, a CNA reclama ao Governo a «urgente alocação dos meios necessários para que o Estado cumpra com a palavra dada e para que os tão necessários apoios cheguem aos agricultores o mais rapidamente possível».