- Nº 2741 (2026/06/11)No Dia Mundial do Ambiente, 5 de Junho, o Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) dirigiu uma Carta Aberta à ministra do Ambiente e Energia, alertando para os impactos ambientais, sociais e económicos dos grandes projectos mineiros, eólicos e solares previstos para os distritos de Vila Real e Bragança.
Segundo o PEV, está em curso um processo de ocupação de milhares de hectares de terreno através de projectos mineiros, eólicos e fotovoltaicos que colocam em causa recursos naturais, actividades económicas tradicionais e a qualidade de vida das populações locais. Os ecologistas acusam o Governo de privilegiar os interesses das grandes empresas do sector energético em detrimento das comunidades e dos territórios do interior.
Abandono do Interior
Na Carta Aberta, que pode ser subscrita em peticaopublica.com/pview.aspx?pi=OsVerdes, os ecologistas defendem que regiões como Vila Real e Bragança continuam a ser penalizadas pelo abandono do interior, apontando a perda de serviços públicos, o encerramento de escolas, centros de saúde e estações dos CTT, bem como as dificuldades de mobilidade.
O PEV destaca ainda o papel das populações que permanecem no território na preservação da biodiversidade, da floresta e dos chamados «sumidouros» naturais de carbono, considerando incompreensível que estas regiões sejam chamadas a suportar novos impactos ambientais.
Entre os projectos contestados encontram-se a Mina do Barroso, a Mina da Borralha, a Mina do Romano, o projecto mineiro de Avidagos, o Parque Solar de Travanca, em Mogadouro, o Parque Solar de Carviçais, na Torre de Moncorvo, o Parque Eólico do Tâmega, em Montalegre, o Parque Eólico de Avelanoso, nos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso, e a Central Fotovoltaica do Planalto, também em Mogadouro.
«Os Verdes» manifestam igualmente preocupação pelo facto de alguns destes empreendimentos se localizarem em áreas próximas da Rede Nacional de Áreas Protegidas, da Rede Natura 2000 e de outras zonas classificadas por instrumentos internacionais de conservação da natureza.
Propostas alternativas
Na carta, acusa-se ainda o Governo de ignorar os impactos cumulativos dos diversos projectos, os efeitos na agricultura, na apicultura, na produção animal e no turismo, bem como os pareceres negativos de populações e entidades ambientais.
Como alternativa, o PEV propõe uma aposta em soluções de energia renovável de menor escala e mais próximas dos locais de consumo, nomeadamente através da instalação de painéis solares em edifícios públicos, telhados e parques de estacionamento, defendendo simultaneamente um maior investimento na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável do Interior. «A terra e as pessoas não podem continuar a ser exploradas como recursos infinitos», conclui a Carta Aberta.