- Nº 2741 (2026/06/11)

Assembleia da Organização Regional de Beja com confiança no reforço do Partido

PCP

A Organização Regional de Beja realizou, no dia 7, a sua XI Assembleia. No Pavilhão Multiusos de Serpa, pela voz de dezenas de delegados, estiveram presentes os problemas de quem vive e trabalha no Baixo Alentejo. Paulo Raimundo afirmou no final dos trabalhos que existem, também no distrito de Beja, «razões acrescidas» para reforçar o Partido.


Cerca de 270 militantes e simpatizantes, entre delegados e convidados, assistiram à XI Assembleia da Organização Regional de Beja (AORBE), que se constituiu como um grande momento de afirmação do projecto do PCP para a região. Ao longo dos trabalhos, entre um elencar extensivo dos problemas e dificuldades ali sentidas, surgiram também propostas para melhorar a vida do povo e dos trabalhadores do distrito, ao mesmo tempo que se evidenciou a necessidade de aumentar salários e pensões, preservar e criar emprego, defender o SNS, desenvolver a economia e as infra-estruturas e garantir o acesso aos serviços públicos e à mobilidade.

Em simultâneo, à assembleia foram trazidas as diferentes lutas travadas pelos trabalhadores e o povo daquele distrito – do acesso à saúde até à mobilização contra o pacote laboral. Demonstrado foi ainda que em todas estes combates, o povo e os trabalhadores contam sempre com o contributo decisivo do PCP.

«Para todas estas exigentes e desafiantes batalhas e luta, o povo, a juventude e os trabalhadores, contaram sempre com o nosso Partido. Contam e contarão com o PCP. E este foi também o compromisso assumido na vossa XI assembleia», afirmou Paulo Raimundo. «Aqui estamos», continuou, «para dar ânimo, força, para agitar, para mobilizar para a luta pela vida melhor a que a maioria, todos os que cá vivem e trabalham, têm direito».

Assembleia preparada em andamento

«A preparação desta assembleia não ficou entre quatro paredes nem a actividade do Partido fez pausa enquanto a assembleia estava em preparação», afirmou o Secretário-Geral. A XI AORBE, em que culminaram meses de trabalho e discussão, foi preparada enquanto se travava a luta contra o pacote laboral, se defendia o SNS, se lutava pelo acesso à habitação, pelos transportes públicos, pelo aumento das pensões e enquanto se afirmava a necessidade de salvaguardar o meio-ambiente, a água e os solos. «Discutimos, no Partido, a vida e a vida leva-nos também à luta contra o brutal aumento do custo de vida», acrescentou.

Grande greve geral

Parte da intervenção do Secretário-Geral foi dedicada à greve geral de passado dia 3, que teve, «ao contrário do que afirmam aqueles que se apresentam como verdadeiros “funcionários do mês” das confederações patronais», um verdadeiro «impacto em todo o País», «quer no sector público, quer no privado». Na indústria, nos transportes, na administração pública e local, saúde, educação, justiça, segurança social, finanças, na cultura e na comunicação social, a greve teve «um impacto tão forte que tiveram de soltar tudo aquilo que têm no seu discurso e na sua acção contra a greve».

«Desse lado», acusou Paulo Raimundo, «estiveram os hipócritas», os que «vivem bem com a precariedade» porque esta nunca os atinge, mas sim à «grande maioria». São os mesmos, enumerou, que «vivem bem», com os «contratos a prazo dos outros, os falsos recibos verdes, as dificuldades», mas também com o trabalho nocturno e por turnos, com o trabalho à borla e os «salários curtos com contas cada vez maiores para pagar».

Complexo quadro de intervenção exige Partido preparado

«Realizamos a nossa assembleia num quadro internacional de aprofundamento da crise do capitalismo e de uma violenta ofensiva do imperialismo, com a guerra e sucessivos crimes imperialistas», salientara já, na abertura da assembleia, Miguel Violante, membro do Comité Central e responsável pela Organização Regional. Já no plano nacional, mencionou, «enfrentamos a acção e ofensiva do Governo do PSD e CDS, de carácter cada vez mais reaccionário, apoiado pelo Chega e IL, e que, em vários aspectos, conta com a conivência do PS».

Os trabalhadores e o povo, sublinhou o dirigente, confrontam-se todos os dias com o ataque aos salários, reformas e pensões, com a ofensiva contra os direitos laborais, com a destruição dos serviços públicos, com as dificuldades dos pequenos e médios empresários e agricultores, e com a ausência de investimento, «de que é escandaloso exemplo a situação no distrito de Beja».

Os trabalhos da XI AORBE foram também acompanhados por Manuela Pinto Ângelo e Ângelo Alves, dos organismos executivos do Comité Central, e Antónia Lopes, da Comissão Central de Controlo.

 

Problemas e soluções ligados à vida

Na XI AORBE, a organização regional do Partido e os seus militantes demonstraram ter uma profunda ligação e conhecimento do distrito em que intervêm – quase tão profunda quanto a preocupação pelos seus pares, colegas de trabalho e vizinhos, que os move.

Foram abordados problemas estruturais, como os índices demográficos do distrito – cada vez mais desertificado –, como a expansão da áreas de regadio não basta, em si, para a fixação da população ou a importância de analisar o ritmo imigratório, de quem chega ao distrito – não pela sua cor ou credo, mas pelas condições em que vivem e trabalham e como são remunerados. Falou-se da ferrovia e da Linha do Alentejo, importante elemento para desenvolver a região e garantir coesão territorial, mas também da luta dos trabalhadores – na Câmara Municipal de Beja, na Santa Casa da Misericórdia de Serpa, dos enfermeiros, professores e trabalhadores mineiros, e do processo de preparação da última greve geral contra o pacote laboral, o «mais sério ataque aos direitos dos trabalhadores das últimas décadas», como ali se afirmou.

Referiu-se o desenvolvimento regional, importante motor para fixar a população, criar emprego e evitar o êxodo de jovens do distrito, as opções de sucessivos governos que «promovem o atraso» e «acentuam desigualdades» e a importância estratégica de «diversificar a base económica» do distrito e assegurar o seu futuro. Falou-se ainda dos impactos da política de direita nos diferentes concelhos do distrito, de que é exemplo o Hospital de Serpa, gerido por uma IPSS (ver notícia nestas páginas), e do contraponto que lhe fazem os muitos eleitos da CDU nas autarquias.

Ao mesmo tempo, estiveram presentes diversos elementos ligados ao reforço do Partido: do processo de entrega do novo cartão de militante como ferramenta de estímulo à participação na vida partidária; o reforço da intervenção junto de democratas e patriotas; ou a imprensa e a propaganda. Na região, são 24 os novos militantes que aderiram ao Partido desde Janeiro, muitos deles estiveram presentes na AORBE como delegados, e 18 os militantes responsabilizados por diversas tarefas. Várias células de empresa voltaram também a reunir.

 

Resolução aprovada e Direcção eleita

A Proposta de Resolução Política foi colocada à apreciação e votação dos 223 delegados que participaram na AORBE. Aprovada por unanimidade no final dos trabalhos, fez-se notar que o documento não é um ponto de chegada, mas antes um ponto de partida para guiar e orientar a intensa actividade e intervenção que a organização regional comunista deverá manterá nos próximos anos.

Autêntica ferramenta de trabalho, para enriquecer a resolução foram dados inúmeros contributos dos militantes da região – na própria AORBE ou, por exemplo, nas 36 assembleias plenárias que se realizaram por todo o distrito no seu processo preparatório.

Aos delegados, militantes e membros da nova Direcção da Organização Regional de Beja (eleita durante a sessão reservada a delegados) presentes, o Secretário-Geral deixou um desafio: «A vossa Resolução Política foi aprovada por unanimidade e aclamação. Pois agora falta o mais difícil, mas também o mais entusiasmante, que é cumprir todas e cada uma das decisões que estão na resolução».

 

Pela Paz

Na AORBE foi ainda aprovada, por unanimidade, a moção «Pela paz, a cooperação e a solidariedade entre os povos». Nela, os comunistas do distrito de Beja exortaram todos os democratas a exigirem o cumprimento da Constituição da República; o fim da utilização do território e espaço aéreo nacional para a continuação das agressões imperialistas; e a prosseguirem e ampliarem a luta pela paz e a solidariedade com os povos vítimas de agressões e ingerências do imperialismo, em particular, para com o povo palestiniano.

Sobre a guerra e a «factura» que esta deixa sempre aos povos, falou também Paulo Raimundo. Nessa factura, acusou, ao lado do preço a pagar, está o símbolo do euro, mas também estão os «símbolos dos partidos da guerra, do PSD, CDS, Chega e IL».