O PODER DOMINANTE NÃO PODE TUDO. COM A LUTA É POSSÍVEL RESISTIR E AVANÇAR
“A luta acabará por derrotar o pacote laboral”
Num País onde se somam problemas que agravam a vida dos trabalhadores e do povo, o que se assiste a partir da acção do Governo é não só a ausência de resposta para os enfrentar, como a insistência em cada uma da opções que estão na sua origem.
Um Governo com pressa em concretizar os seus projectos reaccionários, retrógrados e antidemocráticos convergentes com os do Chega e da IL ao serviço do grande capital, ambicionando aproveitar condições institucionais favoráveis à sua agenda de retrocesso. Uma agenda orientada para liquidar direitos e aumentar a exploração, suportada no eufemismo da “ambição reformista” e construída na base da divisão dos de baixo para garantir os privilégios dos de cima. Assim é com a estigmatização da pobreza apresentando-a como opção e não consequência da política de direita, visando reduzir apoios sociais e montantes e exacerbando egoísmos; assim é com o animar da xenofobia e do racismo por via das leis da nacionalidade e dos estrangeiros. Uma agenda que tem no pacote laboral peça central e que conhece esta semana um novo passo com o seu agendamento na Assembleia da República. Uma peça de retrocesso amplamente rejeitada pelos trabalhadores e que a sua luta, que terá com a concentração convocada pela CGTP-IN para hoje junto à Assembleia da República um novo momento, acabará por derrotar. Derrota que os trabalhadores imporão com a sua luta para lá da manobras que se desenhem para salvar o pacote laboral que só será possível se o Governo contar com a conivência e cumplicidade dos que ao contrário do que apregoam se dispuserem a dar-lhe a mão que falta para atingir os seus objectivos. Se há lição a extrair deste notável processo de resistência e denúncia contra o pacote laboral, ainda não concluído, é que mesmo nas circunstâncias em que o poder dominante e os seus instrumentos políticos parecem poder tudo, aí está a luta dos trabalhadores a fazer prova de que não só não podem tudo como com essa luta se pode não só resistir como derrotar os seus projectos.
Essa luta contra direitos de quem trabalha que é também expressão de oposição a uma política que agrava as condições de vida de uma população confrontada com o aumento de preços e do custo de vida, com dificuldades crescentes no acesso a serviços públicos e em particular no SNS sujeito a um ataque para o destruir, com a impossibilidade crescente de ter direito a uma habitação agora agravada com o aumento das taxas de juro decretada pelo BCE. Um quadro que requer uma resposta, quer por via do controlo de preços ou pela imposição à banca que suporte com os seus lucros o aumento das prestações de aquisição de habitação, quer por via do aumento extraordinário de salários e pensões. A rejeição na passada semana do projecto do PCP para um aumento intercalar de 50 euros no valor das pensões de reforma é esclarecedor a quanto ao posicionamento das diversas forças políticas.
As Jornadas Parlamentares do PCP realizadas no início desta semana sob o tema “As intempéries e as respostas necessárias” é um contributo inestimável para não deixar esquecer o que não pode ser esquecido: as razões que para lá da violência das intempéries avolumaram consequências expondo um País não preparado por opções da política de direita para enfrentar situações análogas; a necessária resposta para acudir aos prejuízos delas decorrentes. O que os muitos contactos realizados levam a concluir é a existência de um fundado sentimento generalizado da população face ao intolerável abandono a que foram votados por parte do Governo. Abandono quando deixa famílias com as habitações danificadas sem resposta; abandono quando empurra as MPME para linhas de crédito, que contribuem para alimentar os lucros da banca; abandono quando as autarquias, colectividades, associações e diversas instituições não têm o efectivo apoio para recuperar equipamentos e instalações.
Num quadro exigente de resposta e desenvolvimento da luta para enfrentar a acção do Governo, prossegue em simultâneo o trabalho de reforço do Partido e da sua organização, com a adopção de medidas de direcção e de responsabilização de quadros, a realização de muitas assembleias de organização de diverso nível e a acção de contacto com os membros do Partido para entrega de cartão, articuladas com uma intensa intervenção e iniciativa política sobre os problemas de cada local, seja de residência ou de local de trabalho.




