A Greve Geral nas indústrias de todo o País – o que o Governo e os patrões não querem que se saiba

A Greve Geral de 3 de Junho foi mais uma poderosa jornada de rejeição do pacote laboral e de afirmação da luta por melhores condições de trabalho e de vida. O Governo e os patrões tentaram esconder o seu impacto, e com ele a profunda rejeição dos trabalhadores ao projecto de exploração contido no pacote laboral. Da nossa parte, não permitiremos.

A Greve Geral parou ou afectou fortemente a produção em muitas empresas industriais

Incomodados com a forte adesão à Greve Geral de 3 de Junho, o Governo e as confederações patronais apressaram-se a desvalorizar a adesão verificada. Não podendo negar o que todos sentiram, tentaram passar a ideia de que a paralisação apenas afectou os transportes, as escolas, os hospitais e centros de saúde.

Nada mais falso! A realidade é bem diferente da que o Governo tentou pintar. A Greve Geral teve expressão em todo o País e nos mais variados sectores: do comércio à hotelaria, do sector social à indústria. Muitas fábricas estiveram com a produção parada ou fortemente condicionada, dada a significativa adesão dos trabalhadores – sem os quais, afinal, nada se produz.

Em edições anteriores do Avante! mostrámos já esta realidade, a que voltamos hoje, com informações actualizadas sobre o impacto da Greve Geral na indústria. Não abarcamos, nem tal era possível, toda a realidade ou a totalidade das empresas. Optamos por colocar o foco em algumas das mais significativas expressões da Greve Geral na indústria, e os seus impactos, levando em conta critérios regionais e sectoriais. Muito mais haveria a destacar, em tantas outras empresas, de variada dimensão, onde a unidade, a mobilização e a coragem dos trabalhadores construíram, também aí, a grande Greve Geral de 3 de Junho.

Os trabalhadores que hoje voltam a sair à rua, na concentração marcada para as 13h30 na Assembleia da República, fazem-no com a força imensa que emergiu desta Greve Geral, que se somou ela própria a tantas outras poderosas jornadas de luta contra o pacote laboral, pelo aumento dos salários e pela revogação das normas gravosas presentes na actual legislação laboral.

 

Automóvel, aeronáutica e aeroespacial

Faurécia, Bragança, produção parada

Aumovio, Vila Real, sem produção

Ficocables, Maia, produção parada

Aapico, Maia, 80% produção parada de manhã

Akwel, Tondela, 55% no turno da manhã

HUF, Tondela, 70% no turno da manhã

Autoneum, Setúbal, 60% no turno da manhã

Hanon, Palmela, 80% no turno da manhã, produção parada

Forvia, Palmela, 65% no turno da manhã, produção afectada

Visteon, Palmela, 90% no turno da manhã, produção parada

SMP, Palmela, 95% no turno da manhã

Teijin, Palmela, 90% no turno da manhã

Teijin, Matosinhos, 80%

Coindu, Guimarães, 80%

GLN Novares, Leiria, 87%, produção parada

Mecachrome, Évora, 65%

Petrotec, Guimarães, 75%

Schnelecke, Famalicão, 95%

Tescap, São João da Madeira, 70% no primeiro turno

ZF Gemieira, Ponte de Lima, 71%, produção seriamente condicionada

Hutchinson, Valongo, 60%, fortes constrangimentos na produção

 

Têxtil, vestuário e calçado

Haco Etiquetas, Covilhã, 65% no turno da manhã

Penteadora, Covilhã, 60% no turno da manhã

Paulo de Oliveira, Covilhã, 60% no turno da manhã

Teximax, Covilhã, 70%

Orfama, Braga, 60%

Mabera, Guimarães, 99% no primeiro turno

Huber Tricot, Santa Maria da Feira, 80% no primeiro turno

Tearfil, Guimarães, 95% no primeiro turno

Emasel, Guimarães, 65%

Contrastextil, Paços de Ferreira, 50%

 

Metalúrgico, químico, eléctrico, mineiro e vidreiro

Euroresinas, Sines, produção parada

Bollinghaus, Marinha Grande, 78%

Groz Beckert, Vila Nova de Gaia, 75% no turno da manhã, produção parada

Exide, Vila Franca de Xira, 90%, produção parada

Cabelte, Vila Nova de Gaia, 60%, produção parada

Browning, Viana do Castelo, 91% no primeiro turno, produção parada

Frismag, Torres Vedras, 70%, das 14 linhas só funcionou uma

Funfrap, Aveiro, 60% no segundo turno, produção parada no turno da manhã

Arsenal do Alfeite, Almada, 60%, produção parcialmente parada

DS Smith, Lisboa, produção parada

Gallo Vidro, 84%, produção parada

Janz, Lisboa, 75 por cento no turno da manhã

Herdmar, Guimarães, 85% e produção parada num dos turnos

Horse (Renault), Aveiro, 70% no segundo turno

Minas da Panasqueira, Covilhã, 85%, produção parada

Orica, Aljustrel, 75%, produção parada

REN, Sines, 95%

RTE, Vila Nova de Gaia, 95% no turno da manhã, produção parada

 

Indústria alimentar e agricultura

Super Bock, Matosinhos, produção parada

Nobre Alimentação, Rio Maior, 60%, duas linhas paradas

Cerealto, Sintra, produção parada

COFACO, Ilha de São Miguel, 50%

Cofisa, Figueira da Foz, 60%

Coceda, Santarém, 50%, três linhas paradas

Dan Cake, Coimbra, 50%

Empresa de Cervejas da Madeira, Funchal, 67% no turno da manhã

Silotagus, Almada, 100% no turno da manhã

Sovena, 60% no turno da manhã, produção parada parcialmente

Vitacress, Odemira, 93%, produção parada

Coceda, Santarém, 50%, três linhas paradas

 

Forte também no sector social

No sector social, onde se encontram inseridos muitos equipamentos de apoio à infância e à terceira idade, a Greve Geral também teve um forte impacto. O que se segue é uma pequena amostra de equipamentos que estiveram encerrados a 3 de Junho.

Lares das Misericórdias de Vila Nova Cerveira e Viana do Castelo, as creches do Centro Paroquial de Darque, creches e jardins de infância N. S. da Misericórdia e Santiago da Barra e o patronato de Nossa Senhora da Bonança, tudo em Viana do Castelo; Irmandade e Novais e Sousa e Centro Social de Tadim, Colégio D. Pedro V, creches de Palmeira e Vale d’Este, em Braga; Creche Fraterna, em Guimarães; Centro Social de Soutelo, em Gondomar; CERCI de Espinho; Misericórdia de Espinho (noite); Centro Social de Esgueira; Centro Social de Paços de Brandão; Centro Comunitário Vera Cruz e CIAQ (creche da Universidade de Aveiro), em Aveiro; Centro Escolar de Maceda, em Ovar; Creche da Fundação, em Ponte de Sor; Centro Social do Sobralinho, em Vila Franca de Xira; Cantinho Alegre da Infância, creche e Jardim de Infância, no Barreiro; A Voz do Operário, em Lisboa, Baixa Banheira, Laranjeiro, e Lavradio; Santa Casa da Misericórdia de Almada; Centro Integrado Arco-íris, Casinha, PIA 1 e Trafaria; creches e infantários das Misericórdias de Caminha, Avis, Gavião, Beja, Aljustrel; creches Joaquim Honório Raposo, Patronato e Santo António, em Beja; Creche Moura-Amareleja; Centro Infantil «Pinóquio», em Tavira; Centro Infantil «Quinta dos Pardais» (SCM), em Albufeira; Creche do CAI Ferragudo, em Lagoa; Creche «Jardim do Sol», em Portimão; Jardim de Infância «A turma dos traquinas» e infantários nas Ferreiras e nos Olhos de Água, Albufeira; creches e JI «Os Vivaços» (duas em Faro e uma em Olhão); Infantário «A Cegonha», em Monte Gordo; Casa do Povo do Porto Judeu, em Angra do Heroísmo.

Em muitos outros, de norte a sul do continente e nas ilhas, registaram-se encerramentos parciais, dada a elevada adesão dos trabalhadores à Greve Geral.