- Nº 2742 (2026/06/18)

Cuba enfrenta guerra económica dos EUA

Internacional

Confrontada com uma brutal guerra económica movida pelos EUA, Cuba resiste e procura caminhos que lhe permitam superar os obstáculos colocados pela política de «máxima pressão» norte-americana, destinada a asfixiar a sua economia.

No dia 12, o Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciou a preparação de um novo Programa Económico e Social para 2026, que prevê uma maior autonomia para os municípios e as empresas públicas, incentivos à produção agrícola, facilitação de investimentos e uma maior contribuição dos cubanos residentes no exterior no desenvolvimento nacional. Anunciou igualmente medidas para melhorar a eficiência do funcionamento das instituições públicas, promover a utilização de energias renováveis e reforçar a protecção social dos sectores da população mais afectados pela guerra econónica dos EUA.

Miguel Díaz-Canel reafirmou ainda que o desenvolvimento económico deve ser acompanhado por justiça social, o combate às desigualdades e o fortalecimento da unidade nacional. Estava marcada para ontem um plenário extraordinário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba para debater estas e outras matérias.

Denúncia na OIT
As sinistras e criminosas intenções dos EUA contra Cuba foram denunciadas pelo ministro do Trabalho e da Segurança Social de Cuba, Jesús Otamendi, na 114.ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada na Suíça, onde afirmou que «o plano sinistro dos EUA é criar uma crise humanitária. Pretendem asfixiar o povo cubano para que ocorra uma explosão social.»

As consequências do recrudescimento do bloqueio, com o cerco petrolífero e outras medidas de perseguição a quem estabeleça relações económicas, comerciais e financeiras com Cuba, que levou muitas empresas a abandonar a sua actividade no país, são graves e estão a afectar seriamente a economia e a sociedade cubanas, em áreas sensíveis como a educação, a saúde, a produção alimentar ou os transportes.


Comboio solidário
A Praça Luxemburgo, em Bruxelas, defronte do Parlamento Europeu, converteu-se, no dia 10, no cenário para o arranque das acções do comboio europeu de solidariedade com Cuba.

Para manifestar o seu apoio a Cuba e rejeitar a política de agressão dos EUA, participaram na iniciativa activistas sociais, deputados do Parlamento Europeu, parlamentares belgas, intelectuais, cubanos residentes na Europa, líderes políticos e sindicais, juntamente com uma delegação do movimento de solidariedade com Cuba proveniente de Itália.

Foram pronunciados discursos a condenar as ameaças de agressão militar e o bloqueio imposto pelos EUA e a denunciar o impacto que estes têm no quotidiano da população cubana. Antes, em instalações do Parlamento Europeu, decorreu um debate sobre o tema «Para um novo internacionalismo em tempos de guerra».

Esta acção solidária com Cuba, que decorreu sob o lema “Deixem Cuba respirar” e “Europa, acorda”, começou em Turim (Itália) e estendeu-se a várias capitais europeias (Bruxelas, Paris, Berlim, Varsóvia). Há planos para nas próximas semanas prosseguir por outras cidades com o propósito de promover o movimento solidário com Cuba e o seu povo.

Nas eleições legislativas de 17 de Maio, o PAICV conquistou a maioria absoluta, elegendo 37 dos 72 deputados. Voltará a governar Cabo Verde, depois de uma década (dois mandatos) de governação pelo MpD (Movimento para a Democracia), agora com 33 parlamentares. A UCID (União Cabo-verdiana Independente e Democrática) elegeu dois deputados.

O novo parlamento de Cabo Verde reúne-se hoje, 18, pela primeira vez, estando marcada para o dia seguinte a cerimónia de posse do primeiro-ministro e do governo pelo presidente da República.