Foi a luta que derrotou o pacote laboral!

Grande vitória dos trabalhadores

O pacote laboral foi derrotado! Na passada sexta-feira, 19, quase um ano depois – e após as mais variadas acções, incluindo duas greves gerais – a luta impôs a vitória dos trabalhadores sobre o Governo, a política de direita e o grande patronato. Para valorizar esta conquista, e lembrar o longo caminho que ainda há a trilhar, o PCP organizou, no dia 22, uma marcha em Lisboa, na qual participou o seu Secretário-Geral.

«Não vamos desistir, o pacote é para cair», ouviu-se no dia 18 e confirmou-se no dia seguinte

«Que este exemplo seja potenciado para os desafios que temos pela frente», apelou a CGTP-IN, na saudação que emitiu no dia 19, dirigida aos trabalhadores, destacando: «Vale a pena lutar! Derrotámos o pacote laboral!». Saudou também «todos os sindicatos filiados, não filiados e independentes, bem como outras estruturas não filiadas na CGTP-IN, que se envolveram neste combate e connosco cooperaram».

A confederação começou por afirmar que «a luta dos trabalhadores, desenvolvida ao longo dos últimos onze meses, derrotou o pacote laboral do Governo PSD/CDS e das confederações patronais», recordando os principais momentos desta batalha.

Observou, depois, que a reprovação na AR veio deixar claro que «a posição que a CGTP-IN assumiu desde início encontrou nos trabalhadores a compreensão e a força para derrotar a insistência do Governo e dos patrões em degradar ainda mais as condições de trabalho e de vida».

Com a sua luta, os trabalhadores «condicionaram todo o processo na Concertação Social e na Assembleia da República e obrigaram, mesmo aqueles que, até à última hora, tudo fizeram para viabilizar o pacote laboral, a responder à exigência da sua derrota».

Na saudação, a CGTP-IN reafirmou que «urge elevar direitos» e insistiu na necessidade de «um aumento geral e significativo de todos os salários e pensões, nomeadamente, com aumentos intercalares, que façam face ao aumento do custo de vida». Assegurar a unidade e a luta dos trabalhadores será «decisivo para romper com a política de direita, que privilegia os interesses e os lucros da minoria, em detrimento das condições de vida da maioria».

Nos objectivos de luta, de imediato, coloca-se igualmente «revogar as normas gravosas da legislação laboral, que já hoje tanto prejudicam quem trabalha, dar estabilidade e horários dignos», «melhorar os serviços públicos e as funções sociais do Estado».

Jovens no «contexto»

A propósito da acção intensa desenvolvida contra o pacote laboral, que iria agravar ainda mais a situação dos trabalhadores, o dirigente da Interjovem que interveio no dia 18, frente à AR, deu conta do contexto em que, «ainda assim, muitos, mas mesmo muitos jovens escolheram juntar-se a nós nestes meses de luta».

Rodrigo Azevedo recordou que «mais de metade dos jovens trabalhadores confrontam-se com vínculos precários»; «mais de 600 mil jovens trabalhadores têm horários profundamente desregulados»; «mais de 70 por cento dos jovens trabalhadores, a geração mais qualificada de sempre, ganha abaixo dos mil euros brutos». Por outro lado, «os grandes grupos económicos concentram já mais de 60 por cento da riqueza que nós andamos a produzir».

Com a «imensa força que temos demonstrado, contra uma ofensiva que não podemos diminuir», «iremos agora derrubar o pacote laboral» e «lutamos para que não sejamos uma geração sem direitos, lutamos pela vida a que temos direito», concluiu.

Jornada dia 18

A perspectiva de prosseguimento da luta esteve bem presente na concentração que a Intersindical Nacional promoveu na tarde de 18 de Junho, junto do Palácio de São Bento, enquanto os deputados discutiam a proposta do Governo. Desde as 13h30, na hora de maior calor, contrariado com água, protecção e muita persistência, milhares de pessoas, de todo o País, exibiram faixas, bandeiras e cartazes, gritaram palavras de ordem e aplaudiram intervenções de dirigentes da FIEQUIMETAL, do STAL, da FESETE, da FEVICCOM, do SEP, da federação das Pescas, da Inter-Reformados, da federação da Função Pública, da FECTRANS, da FENPROF, da Interjovem e do CESP, intercaladas com a guitarra e a voz de Uly Couvinha.

Além de «Não vamos desistir, o pacote é para cair» – como se iria confirmar na votação, no dia seguinte –, repetiu-se vezes sem conta «A luta continua». Esta determinação ficou expressa na Resolução, aprovada pouco passava das 16h30. Minutos antes, o Secretário-Geral da CGTP-IN tinha salientado que «a luta não termina hoje, a luta não termina amanhã».

Hoje, reúne-se o Conselho Nacional da confederação. Na próxima semana, a 2 de Julho, vai reunir-se o Plenário Nacional de Sindicatos.

Para amanhã, dia 26, a União dos Sindicatos do Porto convocou uma concentração, às 17h30, frente ao Hospital de São João, com a participação do Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira. Das 10 às 12 horas, a União dos Sindicatos de Lisboa promove uma “tribuna pública” no Largo José Saramago.

 



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