Começaram as jornadas de trabalho da Festa do Avante!

Aproxima-se a passos largos a 50.ª Festa do Avante! que este ano se realiza a 4, 5 e 6 de Setembro. As jornadas de trabalho para a sua construção começaram no passado fim-de-semana e o Avante! esteve lá.

A Festa não seria a mesma se não fosse uma construção colectiva

Da limpeza do terreno à construção das estruturas que lhe dão corpo e forma, a Festa do Avante! é erguida pelo trabalho voluntário de muitos, militantes e amigos. E nem seria a mesma se assim não o fosse.

Entre o sem-número de pessoas que pisam aquele «chão libertado» todos os verões, contabilizam-se milhares de horas despendidas a troco “apenas” da satisfação de contribuir para algo maior do que cada um de nós e ver o resultado final no primeiro fim-de-semana de Setembro. O Avante! conversou com alguns dos que por ali passaram para darem à Festa um pouco de si, do seu esforço, da sua dedicação.

Construção colectiva
Ao construir a Festa experimenta-se o valor do trabalho colectivo, onde o contributo de cada um, por pequeno que possa ser, conta. Ali também se vive a igualdade, conhece-se gente de diferentes regiões, idades, saberes e experiência e com eles faz-se de tudo um pouco: ergue-se estruturas, monta-se tubo, prega-se balcões, faz-se chão, pinta-se murais, cose-se toldos. É esta a receita que faz da Festa um sucesso ano após ano, explicou-nos Joaquim Aparício.

Militante desde 1976, ex-combatente e reformado, participa nas jornadas há mais tempo do que aquele que consegue recordar. À sombra do Espaço Internacional, preparava-se, com os companheiros de jornada, para o almoço. Merenda simples, mas para partilhar. Durante a manhã, dedicou-se à preparação do espaço para a implantação das diversas bancas que ali estarão durante a Festa.

Joaquim tem dificuldades em explicar o porquê, depois de tantos anos, de continuar a participar: «Isto é uma paixão que eu tenho. Parece que nasceu comigo. O ambiente é saudável, conhecemos gente nova que parece ser nossa amiga há anos.» Antes de retomar a refeição, afirmou querer ver ainda mais jovens nas jornadas, para assegurar a transmissão das aprendizagens.

Já no refeitório dos serviços de apoio, Nuno Figueiredo tinha já terminado o almoço. Militante há 25 anos, trabalha em consultadoria de sistemas de informação, mas naquele dia ajudou na limpeza do armazém do Espaço Internacional e ajudou a preparar as infra-estruturas. «O trabalho que é feito é necessário e importante para a construção da Festa, que não se constrói sozinha», salientou, partilhando o «orgulho» que é receber os visitantes com o terreno já pronto. O que o faz continuar a vir é a partilha: das refeições às aprendizagens, do trabalho ao convívio.

Juventude presente
João Mota, 20 anos é militante da JCP há nove meses e estuda Engenharia Biomédica. Nunca visitou a Festa, mas está já a assumir tarefas ligadas à sua construção. Ao largo da Cidade da Juventude, naquela que foi a sua primeira jornada de trabalho, revelou-se «ansioso» por ver o resultado final. Para já, revelou, é muito difícil imaginar como tudo estará em Setembro, sobretudo depois de ter ajudado a relocalizar a estrutura do bar vegetariano, assegurado pelos jovens comunistas durante os três dias da Festa. Ali, salienta, vive-se um «ambiente agradável, trabalhamos, descansamos, divertimo-nos, temos tempo para tudo» e imagina que seja um «sentimento muito gratificante» passear pela Festa e saber que está de pé também pelo seu contributo.

Carolina Ramalho, com 17 anos, estuda no Ensino Secundário e estava em frente ao Palco 25 de Abril. Não é militante e pisou a Atalaia pela primeira vez naquele dia. Conta que se aproximou da JCP através de uma palestra com diversas estruturas políticas na sua escola. Desde então que participa em iniciativas da juventude comunista. «As expectativas são grandes», revela. Pelo que viu nas redes sociais, assegura, parece haver muito trabalho pela frente até Setembro, mas o resultado final valerá a pena.

Estar em liberdade
Pedro Antunes, de 60 anos, estava a pintar de verde a vedação da Quinta do Cabo. Uma tarefa agradável, tendo em conta a vista sobre a baía do Seixal. Estava na Festa com a mulher e o filho: destes três, apenas o último é militante. Os pais acompanham o jovem comunista, mas o gosto pela Festa já é antigo, desde a primeira edição, na FIL. Deixou um apelo: que se pense mais pela nossa cabeça, que se leia e procure mais informação sobre o Partido e que se visite a Festa.

Natural do Crato, com 81 anos, Rui Nunes, já ao final do dia, contou-nos que veio ao Partido em 1962, na ponte de Odemira, depois de receber um convite de outros jovens comunistas para uma reunião. Até ao dia de hoje, assegura, passa mais tempo no Partido do que em casa. Já na Festa, «o que é preciso fazer, a gente faz». Andou fugido durante a ditadura, sabe o que é esquivar-se da PIDE, pois fê-lo em várias ocasiões: como no encontro da Plataforma de Acção Comum que se realizou em São Pedro de Moel, em 1969. A liberdade de construir e estar na Festa foi conquistada, é importante mantê-la, salientou.