- Nº 2744 (2026/07/2)

A solidariedade rompe bloqueios e defende soberania de Cuba

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Estados Unidos, prestem atenção, Cuba resiste à vossa agressão”, ouviu-se na quinta-feira, 25 de Junho, junto à embaixada dos EUA em Lisboa durante a acção de protesto convocada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e pela Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC), que decorreu sob o lema “Solidariedade com Cuba! Pelo fim ao bloqueio e às agressões dos EUA!”.

O apoio a Cuba, ao seu povo, à sua Revolução e, sobretudo, ao seu direito ao desenvolvimento soberano, soou alto ao longo do percurso da acção, que uniu a Cidade Universitária a Sete Rios, em Lisboa. Os presentes, e tantos e ruidosos que eram, empunhavam faixas, cartazes e bandeiras de Cuba, dezenas delas, com o rubi, as cinco faixas e a estrela solitária.

As palavras de ordem, inscritas ou entoadas a plenos pulmões, deixavam claro o que ali trazia tanta gente: a denúncia do bloqueio e da ingerência imperialista, a solidariedade à resistência demonstrada pelo país caribenho, a afirmação de um caminho de paz, cooperação e respeito pelos direitos dos povos e a soberania dos Estados. E, também, a certeza de que “Cuba vencerá!”, porventura uma das frases mais entoadas durante aquele final de tarde.

À passagem pelo viaduto de Sete Rios, um grupo de jovens desfraldou dois estandartes em tons de vermelho, azul e branco e as inscrições “A juventude está com Cuba” e “Respeito pela soberania de Cuba! Fim ao bloqueio!”.

Canções e palavras

Na faixa da frente seguiam representantes das organizações promotoras e de outras que se associaram à acção, como a União dos Sindicatos de Lisboa/CGTP-IN, o Movimento Democrático de Mulheres, a União de Resistentes Antifascistas Portugueses, a Frente Anti-Racista, a Associação Iuri Gagárine, a Associação Portuguesa de Juristas Democráticos, entre outras. Ali esteve também o presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), Gonçalo Lopes.

A juventude marcou forte e alegre presença, empunhando bandeiras da FMJD, do Projecto Ruído e da JCP – as da própria organização, vermelhas com o símbolo, e uma branca, grande, com a inscrição “Calar as armas, construir a paz”.

À chegada a Sete Rios, Udi Fagundes juntou-se à luta com as suas canções, a sua voz, os seus acordes e também as suas palavras solidárias. Cantou “Hasta Siempre”, canção cubana sobre “Che” Guevara, a que juntou outros temas, de várias latitudes, pois a música – como a solidariedade – pode unir os povos do mundo. A fechar, intervieram Isabel Camarinha, presidente da direcção do CPPC, e João Terreiro, da AAPC.

A solidariedade continua

A solidariedade com Cuba não começou na passada quinta-feira e continua para lá dela, desde logo contribuindo para a campanha “Por Cuba! Fim ao Bloqueio!”, de recolha financeira e de materiais que o bloqueio torna difícil adquirir, como equipamento médico e hospitalar, material escolar ou medicamentos. As contribuições financeiras no âmbito desta campanha deverão ser feitas para o IBAN PT50 0033 0000 0058 0164 1169 7. Doações de materiais deverão ser antecedidas do envio de uma mensagem de correio electrónico para [email protected].

 

PCP não falha à chamada

O PCP marcou presença solidária na acção de protesto e de solidariedade com Cuba com uma delegação integrada pelo Secretário-Geral, Paulo Raimundo. Em declarações à comunicação social, em frente à embaixada dos EUA, o dirigente comunista denunciou o «criminoso bloqueio e a permanente agressão» norte-americana contra Cuba e sublinhou que mesmo perante as mais difíceis condições e face a ameaças, inclusive militares, o povo cubano «está a resistir com grande determinação». A presença do PCP naquela ocasião, garantiu, era assim uma expressão de «solidariedade com o povo cubano, com a sua luta, com a sua capacidade de poder decidir o seu caminho».

No dia seguinte à acção, o PCP propôs no Parlamento Europeu um debate em sessão plenária sobre “As sanções ilegais dos EUA a Cuba e os seus efeitos extraterritoriais sobre entidades dos países que integram a UE”. Denunciando o reforço recente do carácter extraterritorial do bloqueio, através dos decretos executivos de 29 de Janeiro e de 1 de Maio, o deputado do PCP no Parlamento Europeu realça sobretudo o alargamento significativo do âmbito das sanções, «autorizando o bloqueio de bens e interesses de qualquer entidade (individual ou colectiva) que desenvolva a sua actividade em algum de diversos sectores da economia cubana. Estas sanções visam colocar premeditadamente entidades de países que integram a UE numa situação de elevada vulnerabilidade jurídica e financeira, procurando obstaculizar investimentos, relações comerciais ou a cooperação solidária com Cuba».

Apesar da gravidade desta medida, denuncia, a Comissão Europeia ainda não tomou qualquer decisão para «proteger os operadores de países que integram a UE de efeitos da aplicação extraterritorial de leis adoptadas por países terceiros, nomeadamente os EUA». É precisamente sobre isto que João Oliveira pretende questionar a Comissão.

 


 

À escalada e aumento da brutalidade do bloqueio com uma autêntica proibição da entrada de combustível em Cuba imposta pelos EUA em Janeiro, que visa causar graves problemas ao povo cubano, provocando apagões frequentes e ameaçando seriamente importantes sectores, como a saúde, a produção alimentar ou os transportes, a Administração Trump ainda impôs recentemente mais e novas medidas com carácter extraterritorial, com o objectivo de dificultar ainda mais as relações comerciais de Cuba com Estados e empresas em áreas fundamentais para a vida do povo cubano.

Mesmo com mais de seis décadas de bloqueio, o heróico povo cubano sempre resistiu e continua a resistir, afirmando e defendendo a sua pátria. Mesmo com mais de seis décadas de bloqueio, Cuba a mantém um serviço de saúde pública, universal e gratuita e uma das taxas de alfabetização mais altas da América Latina. Mesmo com mais de seis décadas de bloqueio, Cuba sempre foi solidária com os outros povos – mais de 600 mil profissionais de saúde cubanos participaram em missões em 160 países, milhões de pessoas foram alfabetizadas por professores cubanos, sobretudo na América Latina, milhares de jovens africanos, asiáticos e latino-americanos formaram-se nas universidades cubanas, entre muitos outros exemplos de solidariedade que podíamos elencar.

Ao povo cubano dizemos mais uma vez que não estão sós e que em Portugal continuaremos a exigir o fim do bloqueio, de todas as medidas coercivas, das ameaças e agressões impostas pelos EUA. Continuaremos a exigir que seja respeitado o direito do povo cubano a decidir soberana e livremente os caminhos do seu desenvolvimento.
Isabel Camarinha, CPPC

 

É importante chamar as coisas pelo seu nome: o que existe contra Cuba não é um simples embargo, não é uma divergência diplomática, não é uma disputa comercial. É um bloqueio económico, comercial e financeiro destinado a estrangular a economia cubana e a provocar sofrimento entre a população. Uma política condenada ano após ano pela esmagadora maioria dos países das Nações Unidas. Uma política que não castiga um governo, castiga um povo.

Estamos a falar de uma guerra económica organizada, planeada e executada contra um povo de 11 milhões de pessoas. Uma guerra económica que procura impedir Cuba de comprar medicamentos, equipamentos médicos, combustíveis, matérias-primas, tecnologia e bens essenciais. Uma guerra económica que sanciona países, bancos e empresas que se relacionem com Cuba. Uma guerra económica que tenta impedir o funcionamento normal de toda uma economia.

A campanha de solidariedade “Por Cuba! Fim ao Bloqueio!”, subscrita por cerca de 40 organizações, já enviou para Cuba dois contentores com centenas de doações, recolhidas em todo o País, e enviou centenas de quilos de medicamentos por avião ao longo do último ano, para além das contribuições financeiras angariadas. Continuamos a dinamizar esta campanha (…) e continuaremos na rua exigindo o fim do criminoso bloqueio dos EUA, a retirada de Cuba da arbitrária lista de países ‘patrocinadores do terrorismo’, o fim às agressões do imperialismo.
João Terreiro, AAPC