- Nº 2744 (2026/07/2)
Num extenso artigo publicado em Hanói na véspera do 101.º aniversário do Dia da Imprensa Revolucionária do Vietname (21 de Junho), oSecretário-Geral do Partido Comunista do Vietname (PCV) e Presidente da República, To Lam, destacou que esta entra agora numa nova e diferente etapa de desenvolvimento: «No novo panorama mediático, a imprensa já não ostenta um monopólio quase absoluto na difusão de notícias», afirmou, informando que nos finais de 2025 o Vietname contava com aproximadamente 85,6 milhões de utilizadoras de Internet (84,2% da população) e cerca de 79 milhões de perfis em redes sociais.
Este ambiente digital oferece à imprensa a oportunidade de chegar a um público mais amplo do que nunca, mas também a obriga a competir directamente com o enorme volume de conteúdo gerado por plataformas e utilizadores a cada hora e minuto, salientou. No entanto, sublinha, esta mudança não diminuiu o papel do jornalismo revolucionário. Pelo contrário, com a abundância de informação, a sociedade necessita cada vez mais de fontes fiáveis para discernir a verdade e a manipulação deliberada e isto exige dos jornalistas profissionalismo, uma sólida ética de trabalho e resiliência perante qualquer pressão.
To Lam referiu-se também a outro problema importante: manter o controlo sobre as plataformas internacionais. «O jornalismo necessita de aceder à sua audiência em todas as plataformas, mas não pode depender de algoritmos externos. Perseguir unicamente as visualizações e os mecanismos de recomendação acarreta o risco de perder dados de leitores, direitos de distribuição e identidade, além de enfrentar mudanças algorítmicas», considerou. Nesse sentido, acrescentou, dominar o espaço digital implica saber como aproveitar as plataformas globais, ao mesmo tempo que se constrói um canal próprio, uma audiência, dados e uma marca de confiança. Portanto, é necessário compreender melhor a soberania informativa nacional e o jornalismo revolucionário deve ser a força principal para protegê-la, o que não significa isolar-se.
Tom Lam, contudo, alertou que os jornalistas «devem evitar publicar algo primeiro e depois verificá-lo ou deixar que as redes sociais ditem as suas acções. Os jornalistas não podem comprometer a sua credibilidade apenas para conseguir um maior número de visitas.