- Nº 2744 (2026/07/2)
Em 1916, o movimento operário internacional encontrava-se dividido: o deflagrar da Primeira Guerra Mundial e a adesão da generalidade dos partidos socialistas e social-democratas à “união sagrada”, ditou a falência da Segunda Internacional: o chauvinismo e o nacionalismo pareciam levar a melhor sobre o internacionalismo e a solidariedade entre trabalhadores e povos. Em 1915, perante os horrores de uma guerra mais mortífera do que à partida se previria, ocorrem os primeiros contactos interpartidários e de restauração dos princípios internacionalistas, com a realização dos congressos internacionais de mulheres e da juventude socialistas. Finalmente, em Setembro desse ano, tem lugar em Zimmerwald – apesar da oposição das direcções da generalidade dos partidos – uma conferência internacional socialista que reúne 40 delegados oriundos de 11 países, de ambos os blocos em conflito e também neutrais (Alemanha, Bulgária, França, Holanda, Itália, Letónia, Polónia, Roménia, Rússia, Suécia e Suíça). Vários dos que, em 1919, fundariam a Internacional Comunista estiveram ali presentes.
Apesar de diferenças entre si, algumas relevantes, a conferência aprovou por unanimidade um manifesto, que teve forte impacto junto das massas e dos soldados. Na opinião de Lénine, a conferência representou um «passo importante para a ruptura ideológica e prática com o oportunismo».