Piquenicão do MURPI em Oeiras junta milhares em jornada de convívio e luta
Mais de três mil pessoas participaram, no dia 28 de Junho, no 29.º Piquenicão Nacional do MURPI, realizado no Jardim Municipal de Oeiras. Ao longo daquela jornada de festa, de alegria, de cultura e de luta, actuaram 45 grupos de cantares, de dança e instrumentais provenientes de associações de reformados de norte a sul do País.
Direito a envelhecer com dignidade
No palco dedicado aos «50 anos da Constituição», Isabel Gomes, presidente da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, assinalou os 48 anos do MURPI, organização que «emergiu com Abril», destacando o seu papel na organização dos reformados, pensionistas e idosos e na defesa dos direitos conquistados com a Revolução de Abril.
Recordando o 11.º Congresso do MURPI, realizado em Novembro de 2025, Isabel Gomes afirmou que a Confederação definiu ali uma Estratégia Nacional para a Longevidade assente em seis prioridades: o aumento intercalar das pensões; o combate ao aumento dos preços dos bens e serviços essenciais; a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da gratuitidade dos medicamentos; passes gratuitos nos transportes públicos; a criação de uma rede pública de lares, reforçando simultaneamente o apoio domiciliário e os centros de dia; e um maior apoio ao movimento associativo dos reformados, pensionistas e idosos.
Solidariedade
Acompanhada no palco pelos organismos executivos da Confederação, a dirigente manifestou solidariedade com a luta dos trabalhadores contra o chamado «pacote laboral», considerando que a rejeição desse diploma constituiu «uma vitória extraordinária sobre uma peça central do retrocesso laboral e social». Sublinhou, contudo, que essa luta prossegue e demonstra que «a organização e a unidade são uma força imensa para travar os retrocessos» impostos aos trabalhadores, defendendo que também o “combate” dos reformados está ligado à construção de um País de justiça social para todas as gerações.
«Este não é tempo de ficar à espera», afirmou, acusando o Governo de rejeitar propostas destinadas à reposição do poder de compra das pensões e de ignorar as reivindicações do MURPI. Recordou, por isso, as tribunas públicas promovidas pela Confederação em Maio, em vários pontos do País, como exemplo da mobilização dos reformados em defesa dos seus direitos.
Mais adiante, Isabel Gomes voltou a alertar para a realidade vivida por muitos idosos, afirmando que «para a maioria dos reformados a pensão não chega ao final do mês» e que o aumento do custo de vida obriga muitos a poupar na alimentação, na energia e até nos medicamentos.
A iniciativa contou com a presença de uma delegação do PCP, composta por Fernanda Mateus, da Comissão Política, e Adelaide Alves, da Comissão Central de Controlo.
PSU prejudica quem menos tem
Sobre a Prestação Social Única (PSU), anunciada pelo Governo [e já garantida pelo PS], Isabel Gomes revelou que a medida, «para além de prejudicar quem menos recebe e quem menos tem, vem obrigar ao trabalho sem pagamento». Defendeu, em alternativa, um combate à pobreza assente na valorização da pensão social de velhice e de viuvez e no aumento de todas as reformas e pensões, em vez da substituição das actuais prestações sociais.
Na área da saúde, reiterou a necessidade de reforçar os recursos humanos e materiais do SNS, garantindo médico e enfermeiro de família para todos, mais capacidade hospitalar, consultas de especialidade e serviços de saúde mental. Defendeu igualmente um maior financiamento das associações de reformados, dos centros de convívio, dos centros de dia e do apoio domiciliário.
A presidente do MURPI voltou a alertar para a proliferação de lares ilegais e insistiu na criação de uma rede pública de lares e de respostas sociais, complementada pelo sector social, que assegure cuidados de qualidade e acessíveis a todos os idosos que deles necessitem.
Direito à cultura, ao convívio e à ocupação saudável dos tempos livres
A presidente da Confederação valorizou o Piquenicão Nacional como uma afirmação do direito à cultura, ao convívio e à ocupação saudável dos tempos livres, defendendo que o direito à reforma «é um direito de Abril», que deve permitir uma vida activa, com participação social, cultural e associativa. Nesse sentido, anunciou que o MURPI irá entregar ao Presidente da Assembleia da República um abaixo-assinado exigindo um aumento extraordinário de 50 euros em todas as pensões, acompanhado pelo livro do 11.º Congresso da organização.
Força activa
Na sessão, usou igualmente da palavra Olívia Matos, dirigente da Federação de Associações de Reformados, Pensionistas e Idosos do Distrito de Lisboa (FARPIL) e presidente da Direcção da Associação Desenhando Sonhos. Também rejeitou a ideia de que os idosos sejam um peso para a sociedade, considerando-os antes «uma riqueza» para o País, pelo seu contributo para a economia familiar, local e social, pela sua capacidade criativa e pelo dinamismo que continuam a demonstrar. Apontou o próprio Piquenicão como prova dessa vitalidade e da capacidade de mobilização dos reformados na luta por melhores condições económicas e sociais.




