- Nº 2744 (2026/07/2)
Estamos a poucos dias da Cimeira da NATO, que se realizará em Ankara, Turquia. Uma cimeira que se adivinha em tom de guerra e de pressão, nomeadamente para se atingir o objectivo traçado em 2025, de gasto de 5% do PIB em despesas militares até 2035.
No passado dia 18, o passo, para esta cimeira, foi acertado por Peter Hegseth, Secretário da Guerra dos EUA, na reunião de ministros da Defesa da NATO. Um discurso em tom de chantagem, como é apanágio do imperialismo norte-americano, que quer a intensificação da militarização da Europa e o caminho da guerra, apontando para uma NATO com mais poder militar, a que chama “NATO 3.0”, aludindo ao que foi a acção da NATO entre 1949 e o fim da URSS e do campo socialista na Europa, tentando fazer esquecer as guerras de agressão da NATO à Jugoslávia, ao Afeganistão, à Líbia ou ao Iraque.
No seu discurso, Hegseth foi claro: é preciso que os Estados-membro se deixem de distracções com o bem-estar social, com o ambiente ou com a igualdade e façam mais despesa em «tanques, caças e defesas aéreas», para poder expandir «a nossa própria base industrial de defesa e encorajamos a transformação da NATO 3.0 numa realidade, para que a aliança regresse às suas raízes como aliança militar [como se algum dia o tivesse deixado de ser...] e para garantir que tem a força europeia necessária» [Alguém tem que alimentar o complexo industrial-militar americano...].
Já o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, foi à Casa Branca, dias depois, confirmar ao “paizinho” Trump – que desta vez apelidou de “líder do mundo livre” –, que os aliados europeus e o Canadá estão no bom caminho. Gastaram em armamentos e na guerra em 2025 mais 20% do que no ano anterior, o equivalente a mais 139 mil milhões de dólares, estando na «trajectória para igualar os seus gastos com a defesa aos dos Estados Unidos», e vão comprar armas no valor aproximado de 300 mil milhões de dólares aos EUA nos próximos anos, dando pistas sobre a aposta desta Cimeira no incremento da produção de armamentos pela indústria militar.
A reunião do Conselho Europeu e o encontro do G7, realizados há duas semanas, nas vésperas da Cimeira da NATO, confirmam igualmente a toada militarista e do prolongamento da guerra na Ucrânia. Com rasgados elogios a Zelensky, foi confirmado o aumento de fornecimento de armamento à Ucrânia, o início das negociações de adesão da Ucrânia à União Europeia, o reforço das sanções à Rússia, numa linha de incremento da confrontação belicista que se afasta do caminho necessário para a paz.
O imperialismo norte-americano e os seus aliados procuram criar as condições para uma guerra ainda mais prolongada na Europa, contra a Rússia, mas sempre de olho na China, como está patente nas declarações saídas destes encontros.
Os povos do mundo já estão a pagar um preço bem alto para financiar as guerras dos EUA e da NATO – o aumento do custo de vida, o não aumento dos salários, as privatizações e cortes na saúde, educação, segurança social e o aumento da exploração são também consequências da política de guerra que nos querem impor. Por isso, a luta dos trabalhadores e dos povos, como a que foi travada no nosso país contra o pacote laboral, faz também parte da luta mais ampla pela paz.
Lutemos então! O único caminho da vitória da paz!