- Nº 2744 (2026/07/2)
São graves as consequências dos sismos que provocaram enorme destruição e um número indeterminado de vítimas na Venezuela. É difícil imaginar o sofrimento do povo e as hercúleas exigências com que autoridades e instituições venezuelanas estão confrontadas. O momento é, portanto, o de fazer chegar ajuda à Venezuela e expressar a solidariedade àquele povo.
E é exactamente neste ponto, que deveria ser final, que é impossível não sentir repulsa pela forma como os traficantes de opinião que todos os dias lambem as botas à Casa Branca e aos demais governos imperialistas estão a tratar esta realidade. As exigências colocadas às estruturas de socorro e de saúde são retiradas do contexto, isoladas e atribuídas única e exclusivamente (por vezes com um indisfarçável toque revanchista) ao “regime chavista”. A mobilização da sociedade venezuelana no socorro e apoio às vítimas é apresentada não como um fenómeno social promovido e organizado, que aliás diz algo sobre aquela sociedade, mas como contraponto a um Estado que supostamente não existe.
A manipulação vai mais longe. Há fragilidades na resposta, sim. Mas nada se diz sobre elas resultarem, desde logo da dimensão da catástrofe, mas acima de tudo de anos e anos de bloqueios e sanções dos EUA contra a Venezuela, que impediram por exemplo o normal abastecimento hospitalar ou a aquisição de tecnologia e maquinaria, entre várias outras questões. Sobre isso, silêncio! O mesmo silêncio que repousa hipocritamente sobre o facto de a “ajuda” dos EUA incluir o envio de militares para a Venezuela; de o levantamento de sanções ser temporário e selectivo, continuando a impedir vários países de fazer chegar ajuda; de o bloqueio económico se manter; e de os 110 milhões de “ajuda” dos EUA serem uma pequeníssima parte dos fundos que saem todos os dias da Venezuela por via da exploração e venda pelos EUA dos seus recursos naturais. Como se pode ver, aos EUA e aos seus aliados e mercenários comunicacionais não interessam as condições de vida dos venezuelanos ou de outros povos da América Latina. Aliás, isso ficou mais uma vez provado na recente tentativa dos EUA de bloquear a continuidade da relação entre Cuba e o Programa Alimentar Mundial da ONU, visando asfixiar ainda mais o povo cubano e impedir a chegada à ilha de alimentos, incluindo leite para crianças. Foram derrotados! Na reunião do Comité Executivo do PAM, 29 dos seus 31 membros votaram contra a intenção dos EUA e a sua criminosa acção e hipocrisia.