- Nº 2745 (2026/07/9)

Venezuela prossegue auxílio às vítimas e inicia processo de recuperação

Internacional

As autoridades venezuelanas cuidam dos feridos e apoiam os desalojados provocados pelos sismos de 24 de Junho. Ao mesmo tempo, procuram com medidas imediatas iniciar o processo de recuperação e relançar a economia do país.

O número de mortos pelos sismos na Venezuela alcançou, no dia 6, os 3535 e o de feridos atingiu os 16.740, informou o governo venezuelano. O número de pessoas resgatadas é de 16.462, as pessoas assistidas somaram 86.794, enquanto 17.345 ficaram sem habitação, depois dos dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5 da escala de Richter, ocorridos no dia 24 de Junho e que afectaram sete Estados do país. Houve 856 edifícios danificados, dos quais 190 colapsados na sua totalidade, e foram instalados 79 acampamentos transitórios para acolher pessoas desalojadas. Foram distribuídos 9.585 toneladas de alimentos e 669.008 litros de água potável. No plano sanitário, 23.820 pacientes foram atendidos nos hospitais e centros de urgência estabelecidos principalmente em Caracas e La Guaira, os territórios mais devastados.

O número de membros de equipas de resgate, de mais de 30 países, alcançou 4088, enquanto os efectivos militares e policiais totalizaram os 29.567 e os voluntários acreditados chegaram aos 27.484.

As autoridades governamentais visitaram acampamentos em Caracas e La Guaira para supervisionar a atenção dispensada às pessoas ali instaladas, bem como outras zonas críticas afectadas.

Guerra económica dos EUA fragilizou resposta

Num momento em que alguns procuram de forma vergonhosa utilizar esta catástrofe para pôr em causa conquistas da Venezuela bolivariana, importa ter presente que os sismos ocorreram num contexto marcado por anos de guerra económica movida pelos EUA contra o país sul-americano, materializada em múltiplas medidas coercivas – entre as quais os 30 mil milhões de dólares de activos públicos venezuelanos ilegalmente retidos no exterior (incluindo em Portugal) – que, naturalmente, tiveram consequências na capacidade de resposta do país a uma catástrofe natural de tão grandes dimensões, seja em equipamentos e meios humanos. O endurecimento do bloqueio económico e financeiro desde 2017 levou igualmente ao crescimento da emigração, com expressão em serviços públicos essenciais.

No socorro às populações afectadas sobressaiu, para além das equipas de socorro, das forças armadas e das forças de segurança, o papel da mobilização popular, nomeadamente das organizações populares de base, como as comunas, eixo central da democracia participativa bolivariana.

A maioria dos edifícios destruídos em La Guaira, uma das regiões mais afectadas pelos sismos, são privados – incluindo de luxo. As habitações populares, algumas das quais construídas recentemente no âmbito da Missão Vivenda não sofreram danos tão significativos, desmentindo outra linha de propaganda antibolivariana que tem sido amplamente difundida.

A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciou um conjunto de medidas económicas a executar de imediato para o auxílio das vítimas e para a recuperação já em curso. Deu conta da criação de um fundo com as verbas bloqueadas pelo Fundo Monetário Internacional e outras entidades financeiras mundiais, dirigido para a reconstrução e recuperação das zonas afectadas e para atender de forma imediata as pessoas que tiveram perdas familiares e materiais, que receberão um auxílio mensal nos próximos seis meses.

Solidariedade do PCP

No dia 7, Paulo Raimundo esteve na Embaixada da República Bolivariana da Venezuela em Lisboa para manifestar a solidariedade dos comunistas portugueses ao povo venezuelano e às autoridades bolivarianas face à recente tragédia. Na mensagem que inscreveu num livro de assinaturas e nas palavras que dirigiu à embaixadora Mary Flores saudou o corajoso e resistente povo venezuelano, certo de que superará mais este desafio, e valorizou o esforço que está a ser feito para salvar vidas.