- Nº 2745 (2026/07/9)

Palestinianos reafirmam direito à resistência

Internacional

Organizações da resistência palestiniana emitiram a 2 de Julho uma declaração conjunta para assinalar 1000 dias de genocídio israelita na Faixa de Gaza, reafirmando na ocasião o direito do povo palestiniano à resistência por todas as formas contra a ocupação.

«Passaram 1000 dias desde o começo do genocídio sionista em Gaza, levado a cabo com o apoio directo da administração norte-americana e dos governos ocidentais», denunciaram as organizações palestinianas, sublinhando que o enfrentamento com o sistema colonial israelita fortemente armado não quebrou a vontade do povo palestiniano nem apagou o seu espírito de resistência.

As organizações de resistência palestiniana manifestaram a sua firme rejeição a qualquer intervenção ou tutela externa: «Afirmamos o direito do nosso povo a resistir [à ocupação] em todas as suas formas e a necessidade de uma resistência cada vez maior na Cisjordânia, em Jerusalém e em todas as nossas terras ocupadas. Rejeitamos qualquer tutela estrangeira sobre o nosso povo e afirmamos que a administração da Faixa de Gaza é um assunto interno». De acordo com este princípio, instaram a comissão designada “administrativa” e “tecnocrática” – vinculada à Autoridade Palestiniana e prevista no plano apresentado pelo presidente norte-americano, Donald Trump – a assumir funções na gestão da Faixa de Gaza, o que Israel tem procurado evitar.

Além disso, os movimentos de resistência palestinianos apelaram a um diálogo nacional integral para concretizar uma aliança política e reconstruir as instituições nacionais, incluindo a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Israel prepara novos ataques

Mais de 2,4 milhões de pessoas na Faixa de Gaza foram submetidas a genocídio, fome e à expulsão das suas casas e terras durante os últimos 1000 dias em consequência da brutal e criminosa agressão de Israel, denunciam as autoridades palestinianas na Faixa de Gaza. 6020 famílias foram aniquiladas e 9500 pessoas continuam desaparecidas, incluindo as que ainda se encontram sob os escombros ou cujo destino se desconhece.

Os dados divulgados confirmam que Israel assassinou pelo menos 21.500 crianças desde finais de 2003. As forças de ocupação israelitas destruíram ao redor de 90% das infra-estruturas da Faixa de Gaza e, actualmente, mantêm ocupados mais de 60% daquele território palestiniano.

O número de mortos por bombardeamentos e ataques de Israel na Faixa de Gaza ascende a mais de 73 mil desde Outubro de 2023.

Investigadores e revistas médicas, como a The Lancet, assinalaram que o impacto real da agressão israelita é superior ao reportado pelas autoridades locais palestinianas, podendo alcançar centenas de milhares de vítimas mortais ao contabilizar as mortes indirectas. Os ataques e o contínuo bloqueio impostos por Israel continuam a impedir uma contagem exaustiva das vítimas.

Desde o anúncio do plano de Trump, em Outubro de 2025, os ataques israelitas mataram mais de mil palestinianos, ataques que constituem uma violação permanente da trégua acordada. As tropas de ocupação israelitas erigiram postos militares avançados, que pretendem permanentes, dentro da Faixa de Gaza, empurrando as suas posições para além da denominada «Linha Amarela», demarcação que inicialmente servia como perímetro da retirada do exército sionista em virtude do acordo de cessar-fogo. A entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza continua sob severas restrições israelitas.

Os factos no terreno e as declarações da cúpula sionista revelam as verdadeiras razões para a ocupação e expansão. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmou que Israel controla 60% da Faixa de Gaza e que as suas ordens são para avançar até controlar 70%, o que ignora as bases do acordo de cessar-fogo alcançado em Outubro de 2025. Entretanto, foi denunciada a intenção das forças de ocupação israelitas de enclausurarem a população palestiniana na Faixa de Gaza em áreas limitadas e militarmente controladas, como nos bantustões no período do apartheid na África do Sul.