NATO é militarismo e guerra e cimeira de Ancara confirma-o
Realizou-se em Ancara mais uma Cimeira da NATO, com foco na continuação do aumento das verbas para a guerra e os armamentos por parte de todos os membros deste bloco político-militar agressivo, particularmente para prolongar o conflito que se trava desde há mais de uma década na Ucrânia.
NATO debate aumento dos gastos militares, reforço da produção de armamento e mais apoio militar à Ucrânia
Lusa
De acordo com a agenda da Cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 32 Estados-membros da NATO, que decorreu nos dias 7 e 8, em Ancara, capital da Turquia (as conclusões terão sido tornadas públicas já depois do fecho desta edição), seriam discutidos três assuntos: o aumento das despesas militares, o reforço da produção industrial de armamento e o prolongamento do conflito na Ucrânia.
A reunião teve lugar num momento em que os EUA, em consonância com a sua “Estratégia de Segurança Nacional”, estão a reposicionar as suas forças militares no mundo, distribuindo tarefas belicistas entre os seus aliados e exigindo-lhes maiores gastos militares. Para além do seu reposicionamento na Europa, os EUA admitem, até, retirar parte das suas tropas do continente europeu (ali estacionadas desde a Segunda Guerra Mundial), a serem compensadas por forças dos membros europeus deste bloco político-militar agressivo.
O último ano foi marcado por pressões e exigências de Donald Trump a alguns países que integram a NATO, como Espanha, Reino Unido ou Itália, por terem recusado a utilização pelos EUA de bases militares ou um ainda maior envolvimento na agressão militar contra o Irão, bem como por ameaças do presidente norte-americano de recorrer à força militar para anexar a Gronelândia, território autónomo associado à Dinamarca, o que causou mal-estar entre os seus aliados, habituados a partilharem o saque e a não serem os saqueados.
Na cimeira de 2025, em Haia, Trump pressionou os seus aliados na NATO (e não só, veja-se os casos do Japão, da Coreia do Sul, da Austrália ou da Nova Zelândia, que passaram a participar nas cimeiras ) a reforçar as suas despesas militares, tendo sido acordado que até 2035 os aliados deverão atingir a meta dos cinco por cento do Produto Interno Bruno (PIB): 3,5% para gastos com a guerra, o armamento, o equipamento e o treino militares; e 1,5% em investimentos em infra-estruturas e na indústria. Perante estas pressões, os Estados europeus que integram a NATO, bem como o Canadá, aumentaram significativamente as suas despesas militares neste último ano.
Aventureirismo insano
A Cimeira de Ancara terá também reafirmado a instigação do prolongamento da guerra na Ucrânia, abastecendo com armamento e financiamento o regime de Kiev, com todos os riscos que comporta. Recorde-se que, na sua histeria e propaganda belicista, vários responsáveis políticos e militares de países membros da NATO anunciam de forma aventureirista e insana que preparam uma guerra com a Rússia para 2029/30.
Segundo algumas agências noticiosas, a declaração final que sair desta Cimeira deverá também incluir uma breve referência à guerra no Irão, com um parágrafo no qual se assumem as posições norte-americana e israelita sobre o programa nuclear iraniano e o estreito de Ormuz.
Portugal aumenta gastos militares
Portugal registou, segundo a imprensa, entre 2024 e 2025, o maior aumento anual da despesa militar da última década, elevando os gastos neste sector para 6,1 mil milhões de euros e cumprindo pela primeira vez a meta imposta pela NATO de dois por cento do PIB em despesas militares.
O relatório anual da NATO, agora divulgado, indica que a despesa portuguesa rondou os seis mil milhões de euros, contra 4,4 mil milhões em 2024, o que representa um acréscimo anual de cerca de 1,6 mil milhões. Portugal nunca tinha aumentado de forma tão significativa os seus gastos militares em apenas um ano, pois os dados referem-se a 2025.
Mais dinheiro para a guerra
O Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, manifestou confiança de que os países membros do bloco político-militar apresentarão, na Cimeira de Ancara, planos «claros, concretos e credíveis» para gastar cinco por cento do PIB na chamada “Defesa” até 2035. Falando em Ancara, numa conferência de imprensa na véspera do início da Cimeira, destacou que apenas um ano após o compromisso assumido pelos aliados na Cimeira de Haia, os membros europeus da NATO e o Canadá já investem, em média, cerca de quatro por cento do PIB, nomeadamente para a guerra e o armamento.
Recordou ainda que os aliados europeus e o Canadá aumentaram em quase 20% as despesas militares no último ano e que, somando os gastos adicionais previstos para 2025 e 2026, o reforço ascende a cerca de 200 mil milhões de euros.
«Não é sustentável pedirmos a um país com 350 milhões de habitantes, situado a oito horas de voo daqui, que defenda 600 milhões de pessoas que vivem nesta parte do território da NATO, a mais rica do mundo», afirmou, considerando que os países europeus da NATO estão a assumir uma responsabilidade crescente no âmbito deste bloco político-militar agressivo.
O primeiro dia da Cimeira foi dedicado ao Fórum Industrial de Defesa da NATO, durante o qual deveriam ser anunciados contratos no valor de dezenas de milhares de milhões de euros para reforçar as “capacidades militares” desta Aliança belicista – e os lucros da indústria do armamento, particularmente dos EUA.
Paz Sim! NATO não!
Na Turquia, apesar das proibições impostas pelo governo , fez-se ouvir nas ruas a contestação à NATO e aos objectivos da sua cimeira: manifestações, concentrações e tribunas denunciaram o carácter agressivo do bloco político-militar e exigiram a sua dissolução. Diversificadas iniciativas foram reprimidas pelas autoridades turcas, que efectuaram muitas dezenas de detenções, procurando impedir os protestos contra a NATO através da restrição de liberdades e direitos. A denúncia e condenação da repressão e a exigência da libertação das pessoas ilegalmente detidas pelas autoridades turcas está a ser promovida na Turquia e no plano internacional.
O PCP fez-se representar em actividades promovidas pelo Partido Comunista da Turquia, em Istambul, contra a NATO e a sua cimeira, por Lara Leal, da Juventude Comunista Portuguesa.
Com vista à afirmação da defesa da Paz e da rejeitação da NATO e da sua política belicista, estavam marcados para ontem dois actos públicos, um em Lisboa e outro no Porto, promovidos pelo CPPC e a CGTP-IN, a que regressaremos na próxima edição.




