- Nº 2745 (2026/07/9)No domingo, dia 5, Vilar de Mouros recebeu mais uma edição do já tradicional Passeio das Mulheres da CDU do Porto. Muitas e muitos foram os que seguiram do distrito portuense até ao Alto Minho para um dia que foi de convívio e alegria, mas também de afirmação de direitos. Entre eles, esteve Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP.
Quando chegou o momento da componente política da iniciativa, com a intervenção de Paulo Raimundo, já há muito se ria, comia, partilhava e dançava no Parque de Merendas de Vilar de Mouros. Foi mesmo o convívio o elemento central do dia e, a seguir, o lazer e o descanso daquelas que, junto da CDU, fizeram questão de ali estar, num dia «de amizade e de luta». Também das que trouxeram consigo a «família, amigas, vizinhas e camaradas de trabalho», como mencionou Joana Rodrigues, membro da Direcção da Cidade do Porto do PCP e eleita na Assembleia Municipal do mesmo concelho, que interveio antes do Secretário-Geral.
«Este passeio tem uma história longa. Não é apenas uma tradição. É uma afirmação de confiança nas mulheres, na sua força, na sua capacidade de intervir, de organizar e de transformar a vida», salientou ainda a dirigente. Confiança essa, afirmou, que é «ainda mais necessária num tempo em que se continua a exigir muito às mulheres e a reconhecer pouco». Das mulheres, prosseguiu, que continuam, em muitos casos, a receber salários mais baixos, que estão mais expostas à precariedade, aos horários desregulados, ao trabalho mal pago, à desvalorização profissional, ao trabalho familiar desproporcional que continuam a carregar, com o cuidado dos filhos ou dos pais e outros familiares. «Muitas vezes sem serviços públicos suficientes, sem creches acessíveis, sem respostas sociais, sem tempo para viver», observou ainda. E isto, assegurou, não é uma «fatalidade», é «consequência de opções políticas».
«Quando faltam creches públicas, quando as escolas precisam de obras, quando as cantinas escolares são entregues a lógicas de lucro, quando faltam médicos de família, quando a habitação se torna incomportável, quando os transportes públicos não respondem às necessidades, são as mulheres trabalhadoras e as famílias populares que pagam primeiro e pagam mais», lamentou. Já no Porto, garantiu, a CDU conhece bem essa realidade: «conhecemo-la na vida de muitas mulheres que trabalham no Porto, mas já não conseguem viver no Porto. Mulheres empurradas para longe, por rendas impossíveis, por salários que não chegam, por uma cidade cada vez mais moldada para o turismo, para o negócio imobiliário e para interesses privados». «É também por isso que a CDU faz falta», concluiu.
Unidade na diferença
«O Passeio das Mulheres é uma expressão da vida. Uma expressão calorosa, da forma de estar do nosso povo, tal e qual como nós somos. Aqui há alegria, há fraternidade, expressão cultural e popular, convívio, amizade compromisso», começou por salientar o Secretário-Geral. Ali, naquela iniciativa, sublinhou o dirigente, onde «nem todos são ainda do PCP», todos «temos diferenças, ideias e pensamentos diferentes», mas «se há um elemento fundamental que nos une a todos e a todas no espaço da CDU» é a luta pela «vida a que temos direito, o direito a termos direitos, a cidade e o País a que temos direito». Isso, frisou, é o que une comunistas, ecologistas, aqueles sem Partido, um e cada um daqueles que aqui está» e «fazem todos muita falta».
Derrota do pacote laboral é vitória colectiva
Paulo Raimundo valorizou ainda a derrota do pacote laboral que se configuraria como um ataque profundo aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras: «derrotámos, e bem, um ainda maior ataque aos salários, quando já hoje as mulheres recebem menos, em média, de 250 euros que um homem». «Derrotámos», continuou, «um projecto de ainda mais precariedade», quando o que é «preciso hoje, é resolver a vida das mulheres, em particular as mais jovens», das «577 mil trabalhadoras que vivem a falsos recibos, contratos a prazo e tantas outras expressões de precariedade». «Derrotámos o banco de horas, quando não precisamos de mais horas de trabalho, ainda por cima trabalho à borla, como queria impor o Governo», acusou. «Derrotámos, e bem», acrescentou ainda, «mais um ataque às mães trabalhadoras e aos seus filhos».
«Derrotámos muito, todas e cada uma de vós, todos e cada um de vós tiveram um papel fundamental na derrota deste processo», concluiu.
Intervenção da CDU em Ponte de Lima é preciosa
No mesmo distrito, antes do Passeio das mulheres, Paulo Raimundo participou num arraial dinamizado pela CDU no Largo da Freiria, em Arcozelo, Ponte de Lima. Com sardinhas, em ambiente de festa e confraternização, valorizou-se igualmente aquela que tem sido a intervenção da coligação PCP-PEV no distrito e no concelho minhoto, onde foi possível, nas últimas eleições autárquicas, recuperar um eleito.
«Este arraial é a prova de que a nossa força não se mede só em votos. Mede-se também nesta capacidade de juntar o povo, de fazer a festa e política ao mesmo tempo, de mostrar que há um projecto vivo, com raízes fundas em Ponte de Lima», salientou Patrícia Moreira, eleita na Assembleia Municipal pela CDU, que demonstrou o quão essencial é a intervenção da coligação naquela região. Quando um trabalhador foi despedido ilegalmente pelo município, quando falta transporte público escolar na Escola Superior Agrária ou quando crescem as dificuldades dos bombeiros voluntários limianos, é a CDU, assegurou, que denuncia, questiona e exige.
A eleita recordou igualmente a jornada de luta «histórica» na ZF (empresa no concelho) aquando da última greve geral, que contou com adesão de 200 trabalhadores.
Paulo Raimundo valorizou a iniciativa e salientou que, apesar de diferenças ideológicas, há uma máxima que une as pessoas em torno da CDU: os princípios do trabalho, honestidade e competência e a vontade de melhorar a vida de toda a gente.