Que ideia mais parva!
Andam dezenas de milhares de jovens em bolandas com os resultados da primeira fase dos exames nacionais de acesso ao Ensino Superior, e com eles pais, avós, irmãos, amigos, que não sabem como é que esta etapa decisiva das vidas dos seus familiares vai acabar.
Durante anos, disseram-lhes que estes exames são o alfa e o ómega do seu processo formativo, pesando tanto ou quase na nota de acesso à Universidade tão sonhada como os 12 anos de educação anteriores e, em particular, os três últimos.
E agora, que ultrapassaram quase todas barreiras, o Governo, que determinou a sua importância, fixou o calendário e organizou o processo, e que tinha como única tarefa garantir a sua execução, não sabe dizer quando é que os resultados vêem a luz do dia.
Consequência mais visível da operação de desmantelamento da Administração Pública, que no Ministério da Educação vai já adiantada com a extinção, entre outras, da estrutura que tratava da organização deste processo, esta trapalhada tem impactos directos na vida de centenas de milhares de pessoas.
Sendo um passo com forte influência no seu futuro (uma diferença de algumas décimas na nota final pode ditar que se possa ingressar numa Instituição do Ensino Superior perto de casa ou ter de ser deslocado para centenas de quilómetros de distância com os custos que implica), tendo sucessivos governos transformado os últimos anos do Secundário numa plataforma de preparação para os exames, é compreensível a ansiedade que terá tomado conta da vida destas famílias.
Mas a alteração do calendário à última hora, atrasando a data final para a correcção das provas e consequentemente para a candidatura ao Ensino Superior e para a segunda fase dos exames, mexe também com os que se programaram em função das datas que estavam estabelecidas pelo Governo, seja para sair de férias, com compromissos assumidos, seja para iniciar trabalhos de Verão para pagar as propinas, por exemplo.
Por isso é ainda mais inaceitável a arrogância com que o ministro da Educação, que tem falado em procurar responsáveis sem assumir as culpas que tem no cartório, se referiu a esta situação dizendo que nestas alturas há tanta incerteza que os pais não fazem planos.
Pensando melhor, até terá razão. Fazer planos para a nossa vida quando o PSD e o CDS estão no comando? Que ideia mais parva!




