- Nº 2745 (2026/07/9)
22 de Junho, aniversário do início da Operação Barbarossa, a colossal ofensiva nazi-fascista de 1941 que ambicionava arrasar em pouco tempo o fundamental da URSS, apropriar-se das suas riquezas, reduzir os povos eslavos sobreviventes à condição de escravos. Há muito a reter desse acontecimento, e muito mais do que apenas sobre a forma, as condições, o sacrifício humano com que foi contida a ofensiva, com que foi sucessivamente derrotada às portas de Moscovo, no cerco de Leninegrado, em Stalinegrado, depois em Kursk.
De como lhe sucedeu a devastadora contra-ofensiva do Exército Vermelho que, quatro anos mais tarde, chega a Berlim. Ofensiva que é determinante na derrota final do nazi-fascismo. Os chefes hitlerianos reconhecem-no com toda a clareza. Dönitz em Flenzburg, 5 de Maio de 1944: «a minha tarefa primordial é salvar os alemães da maré-cheia bolchevique. É apenas com esse fim que a luta prossegue».
Note-se a escolha de palavras: “bolchevique”, não “soviético”. O que estava em confronto era muito mais do que forças militares ou mesmo nações. O fascismo, ditadura terrorista dos monopólios e dos latifundiários, sempre dispôs de uma bússola de classe. O que estava em confronto reflectia-o em todos os planos, incluindo no plano ideológico e moral.
Um significativo pequeno episódio: Ilya Ehrenburg, cujas crónicas da frente eram lidas por milhões, escreve profundamente irritado “Basta!”: «A Alemanha não existe: existe um bando imenso que se dispersa no momento em que se fale de responsabilidade.» De imediato, 14 de Abril de 1945, o Pravda corrige-o: «Os diferentes alemães fazem a guerra de forma diferente e apresentam diferentes atitudes… Cumprindo a sua grande missão libertadora, o Exército Vermelho opera a liquidação do exército hitleriano, do governo hitleriano, mas nunca assumiu como objectivo liquidar o povo alemão.»
Dois mundos radicalmente diferentes em confronto. O derrotado ainda não se conformou.