- Nº 2746 (2026/07/16)

Exigência de paz e cooperação, contra a cimeira da guerra

Em Destaque

A cimeira da NATO realizada na semana passada em Ancara, na Turquia, intensificou a política de confrontação e guerra deste bloco político-militar agressivo e apontou a ainda maiores despesas militares, para benefício da indústria do armamento e da estratégia de dominação do imperialismo norte-americano. Em Lisboa e no Porto, como no país anfitrião e em muitos outros, o movimento da paz fez-se ouvir denunciando os objectivos belicistas da cimeira e reafirmando a exigência de dissolução da NATO.

Enquanto na Turquia se debatia a intensificação da guerra e se fechava negócios milionários com a indústria armamentista, eram muitos os que faziam ouvir a sua voz em defesa da paz e de um mundo mais justo e pacífico, conscientes de que a dissolução deste bloco político-militar agressivo é fundamental para esse objectivo. De Lisboa e do Porto saiu, ao final da tarde de dia 8, uma saudação a «todos os que, em Portugal e por todo o mundo, nomeadamente na Turquia, protestam contra a política belicista da NATO e lutam pela paz, em particular para os que em Ancara foram alvo de brutal repressão».

Nas acções promovidas pelo CPPC e a CGTP-IN no Largo José Saramago, em Lisboa, e na Praceta da Palestina, no Porto, estiveram muitos daqueles que todos os dias assumem a luta em defesa dos direitos, das condições de vida, da democracia e da paz. Pelas vozes de Isabel Camarinha e Manuela Branco, do CPPC; de Dinis Lourenço e Paulo Carvalho, da CGTP-IN; dos jovens João Queirós e Joana Machado; de Susana Canato e Daniela Costa, que apresentaram; e do coronel e militar de Abril José Baptista Alves, foi denunciada a política belicista da NATO, o papel desta organização enquanto instrumento de guerra e agressão, braço armado do imperialismo norte-americano, e o rasto de destruição deixado pelo mundo.

A guerra, recordou-se, prejudica os trabalhadores e os povos – embora haja quem ganhe e muito com elas: a vender armas, a destruir países (como a reconstruí-los), a apoderar-se de recursos naturais, mercados e rotas comerciais. Foi também denunciado que o aumento dos gastos militares, que a Cimeira decidiu incrementar ainda mais, tem implicações imediatas na diminuição do investimento público na Saúde, na Educação, na Cultura, no Desporto, na Protecção Social, na Habitação e também nos salários e pensões. Lutar por uma vida melhor para o nosso povo, por um Portugal soberano e desenvolvido, é também lutar pela paz!

Reafirmou-se igualmente o caminho que se impõe: a defesa da paz, do desarmamento, da cooperação, da solidariedade com os povos que enfrentam a agressão e a ameaça, o cumprimento dos princípios inscritos na Carta das Nações Unidas, na Acta Final da Conferência de Helsínquia e na Constituição da República Portuguesa. A atitude assumida em Ancara pelo Governo português vai ao arrepio de tudo isto: total alinhamento com a política de guerra e confrontação e toda a disponibilidade para continuar a desviar recursos para armamento, que tanta falta fazem em áreas fundamentais. Daí o compromisso, ali uma vez mais reafirmado, de que a luta vai continuar!

 

«Nem precisamos de ir mais atrás no tempo, na história deste bloco político-militar belicista, que contou na sua criação com a ditadura fascista portuguesa, a que deu suporte para 13 anos de guerra colonial. Basta recordar as guerras da NATO contra a Jugoslávia, o Afeganistão ou a Líbia e o seu apoio à invasão e ocupação do Iraque. Basta olharmos para o seu silêncio, cumplicidade, ou mesmo activo e preponderante apoio para com a continuação do genocídio do povo palestiniano às mãos de Israel; a agressão de Israel ao Líbano; a agressão dos EUA e de Israel ao Irão; a instigação e prolongamento da guerra na Ucrânia e o afastamento de uma solução pacífica para este conflito; o brutal agravamento do bloqueio dos EUA contra Cuba; a agressão militar dos EUA à Venezuela bolivariana e do sequestro do seu presidente; entre muitos outros exemplos.»
Conselho Português para a Paz e Cooperação

«É com a paz, a resolução pacífica e política dos conflitos que é possível efectivar os direitos que os trabalhadores conquistam e uma mais justa distribuição da riqueza. Aos trabalhadores interessa a solidariedade entre os povos, que exige o fim das agressões sobre o Líbano, o fim da ocupação israelita da Palestina e do genocídio do seu povo e o cumprimento de uma Palestina livre, independente e soberana, condição necessária para a paz no Médio Oriente; o fim das agressões e ingerências sobre os povos da América Latina e do criminoso bloqueio sobre Cuba. Aos trabalhadores e ao povo português só o cumprimento da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente do seu artigo 7.º – que preconiza a abolição dos blocos político-militares como é a NATO – interessa. É dever do Governo português cumprir a Constituição.»
Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional

«A paz não é apenas a ausência de guerra. Não existe verdadeira paz quando milhões de jovens vivem sem acesso à habitação, quando a precariedade impede a construção de um projecto de vida, quando os salários não chegam ao fim do mês, quando se degrada a escola pública, quando se enfraquece os serviços públicos ou quando se limita direitos conquistados por gerações inteiras de trabalhadores e de jovens.

Enquanto aumentam a verbas para a guerra, continuam a faltar investimentos na Educação, na Saúde, na Ciência, na Cultura e na Habitação. Enquanto se fala em “segurança”, eufemismo para guerra e ingerências militares, esquecem-se da segurança de quem trabalha, de quem estuda e de quem luta diariamente para viver com dignidade. Se há algo que a história nos ensina é que nenhum direito nos foi dado.»
Comité Nacional Preparatório do 20.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes

«Quem não vai deixar de ganhar com tudo isto é a indústria do armamento militar. Qualquer guerra serve os seus interesses, “quente” ou “fria”, tanto faz. O que importa é produzir cada vez armas mais sofisticadas, com mais capacidade de matar e destruir. (…)

A dissolução da NATO deveria estar na ordem do dia de qualquer país europeu que se preze e preze a sua identidade e soberania. O futuro tem que ser construído no respeito pela Carta das Nações Unidas, que acolheu todo o imenso património civilizacional de então, caldeado no rescaldo do mais brutal e sangrento conflito que a Humanidade já conheceu, a Segunda Guerra Mundial. A Organização das Nações Unidas (ONU), criada em Outubro de 1945, com o objectivo de prevenir outro conflito internacional, propôs-se garantir a manutenção da paz, a solução pacífica dos conflitos, a igualdade entre nações, sejam elas grandes ou pequenas, e a promoção do progresso social.»
Coronel Baptista Alves, militar de Abril

 

PCP solidário

O PCP juntou-se aos que condenaram os objectivos da Cimeira da NATO e a postura de subordinação aí assumida (sem surpresa) pelo Governo português. Reafirmou que o País deve dissociar-se da política agressiva e das guerras dos EUA, da NATO e da UE, e afirmar a sua soberania e independência. Isso mesmo foi assumido pelo Secretário-Geral, Paulo Raimundo, que esteve presente no acto público em Lisboa, e no comunicado emitido pelo Partido no dia 13, do qual sublinhamos algumas ideias centrais.

Nota completa em https://pcp.pt/cimeira-da-nato-cimeira-do-armamento-da-guerra

679 mil milhões de dólares
Receitas registadas em 2024 pelos 100 maiores produtores de armas – um recorde (no mesmo ano, o PIB português – em dólares – foi de 330,03 mil milhões)

20%
Foi o aumento registado em apenas um ano das despesas militares dos membros europeus da NATO mais o Canadá

43 mil milhões de euros
Valor dos novos contratos armamentistas anunciados na Cimeira de Ancara

55%
Proporção das despesas militares mundiais já hoje assumida pelos 32 países membros da NATO, ou seja, mais do que a soma dos restantes 161 Estados-membros da ONU. Os EUA, sozinhos, ultrapassam os 30%

1,61 mil milhões de euros
Aumento dos gastos militares de Portugal em apenas um ano, representando já mais de 2% do PIB