- Nº 2746 (2026/07/16)«O concelho de Almada vive problemas na distribuição de água», mas, assegura a CDU, «parte dos problemas, mais urgentes, vão ser minorados pela obra de furos de captação de água», que «está em início de funcionamento».
Um furo entrou já em funcionamento no início da passada semana, um segundo começou a injectar água no sistema no início desta semana, e mais três aguardam licenciamento a curto prazo. Estão, ainda, em fase de projecto três furos onde foi aplicado o carácter de urgência legal para acelerar o tempo de concretização da obra», informa a Coligação PCP-PEV, que assumiu responsabilidades nos Serviços Municipais de Água e Saneamento (SMAS) apenas há sete meses. Em nota de imprensa divulgada dia 4, a CDU sublinha no entanto que «os problemas vão exigir uma resposta estrutural mais demorada e devidamente programada».
No documento dá-se ainda conta que a população de Almada aumentou nos últimos 10 anos e o consumo cresceu mais de 19 % nesta década. Ou seja, «Almada capta, neste momento, menos água do que a que utiliza», reconhece a CDU, salientando que a actual situação «é agravada pelo facto de, nos últimos anos, não terem sido construídos novos reservatórios, limitando muito a capacidade de guardar reservas de água» e que «os indicadores de perda de água nas redes são excessivamente altos, sendo que o número de rupturas anuais na rede adutora duplicou nos últimos 8 anos».
«Para além da inadequação do sistema face ao crescimento da população, multiplicou-se o consumo público e privado desordenado e inadequado à capacidade da rede», alerta a coligação, que, ao longo dos últimos anos, seja nas reuniões de Câmara, seja na Assembleia Municipal, criticou e alertou quem geria os SMAS, o PS e o PSD, para a necessidade evidente de reverter a falta de investimento na rede de água.
Tendo em conta este diagnóstico, os SMAS estão a tomar medidas que diminuem os problemas criados às populações com esta situação e a elaborar um plano de intervenção que possa dar uma resposta estrutural e que reponha uma situação de normalidade para o concelho de Almada. Se necessário, a CDU bater-se-á «em sede de revisão orçamental para o reforço das verbas necessárias».
As responsabilidade de PS e PSD
A presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Paula Santos, em declarações no dia 10 aos jornalistas na AR, foi taxativa ao declarar que há «uma responsabilidade muito clara» do PS e do PSD pela situação a que se chegou.
«São oito anos de gestão do PS, mas o PSD teve vereadores com pelouros, nomeadamente o pelouro dos SMAS, e ao longo destes oito anos não foram feitos os investimentos necessários para que fosse assegurado efectivamente esse abastecimento», criticou.
Questionada sobre o facto de anteriormente à chegada do PS à Câmara de Almada ter sido a CDU a responsável pela gestão da mesma, Paula Santos afirmou que, com a coligação PCP/PEV à frente da autarquia, «a questão das águas foi sempre uma área em que houve investimentos que foram feitos e planeamento».
“Foram feitos investimentos ao longo dos anos, e, portanto, aquilo que verificamos é que houve uma ruptura, mas a ruptura foi quando houve a mudança da CDU para o PS», esclareceu, mostrando-se convicta de que o «PSD também tem responsabilidades, porque teve pelouros, nomeadamente nos SMAS e, portanto, tem responsabilidades relativamente a esta matéria».
O PCP alertou
Também a Comissão Concelhia de Almada do PCP se pronunciou sobre esta realidade, em comunicado à população, no qual enumera, ponto por ponto, um conjunto de factos e esclarecimentos que lhe permitem concluir que «PS e PSD são responsáveis pela falta de água no concelho de Almada».
A redução de 19,2 milhões de euros nos investimentos realizados entre 2018 e 2025 (gestão PS e PSD) face ao período entre 2010 e 2017 (gestão CDU) está na origem e explica uma boa parte dos problemas que hoje atingem a população.
«PS e PSD deixaram degradar o serviço de distribuição de água no concelho de Almada com o objectivo de criar na população o ambiente favorável à aceitação do caminho da sua privatização, que, a prazo, para satisfazer o lucro, faria a população pagar mais por um serviço ainda pior», esclarece o PCP no folheto que está a fazer chegar às mãos dos almadenses, onde lembra ainda ter tomado, em 2021, posição contra o aumento da factura da água; ter alertado em 2023 para o insuficiente investimento público nos seis anos de gestão PS; e, em 2024, ter votado contra o orçamento dos SMAS em razão do adiamento, uma vez mais, de «investimentos essenciais na rede de abastecimento de água e saneamento em todo o concelho».