Parábola de cegos
A política belicista dos EUA, da NATO e da UE constitui a maior ameaça à paz
Lusa
A Cimeira da NATO, realizada em Ancara a 7 e 8 de Julho, constituiu um autêntico conclave de exaltação do militarismo e da guerra, apesar das contradições, desavenças e dificuldades evidenciadas ou silenciadas.
No seu comportamento bipolar, as classes dominantes das potências imperialistas europeias – com a do Canadá à mistura – alinham com desvelo na estratégia belicista orquestrada e impulsionada pelo imperialismo norte-americano, aceitando a sua condição de politicamente subordinadas e economicamente dependentes, ansiando por receber a sua parte do quinhão no negócio dos armamentos e da pilhagem na guerra. No entanto, e ao mesmo tempo, tal coexiste com a ilusória ambição de estabelecer uma parceria entre iguais com os EUA e de acabar com a relação de vassalagem, perante a percepcionada oportunidade aberta pelo declínio relativo da potência imperialista hegemónica.
Contudo, são os EUA que há muito colocaram os seus “aliados” a sustentar a economia norte-americana, extorquindo-os através de uma panóplia de pressões, chantagens, ameaças e imposições: desde a compra de gás e petróleo a preços muito mais elevados à imposição de direitos aduaneiros a exportações da UE para os EUA, quando os EUA ficam isentos de tais direitos relativamente às suas exportações para a UE; à compra de armamento pelos seus aliados para continuar a instigar e a prolongar a guerra na Ucrânia, financiando, assim, o complexo-militar norte-americano em dezenas de milhares de milhões – entre outros exemplos.
Na sua estratégia de domínio hegemónico, o imperialismo norte-americano não olha a meios para atingir os seus fins, mesmo que seja à custa dos seus diligentes “aliados”. Tentando salvaguardar-se tendo em conta a sua localização geográfica e proclamando o continente americano como sua “coutada” exclusiva, os EUA procuram distribuir papéis, e consequentes tarefas belicistas, entre os seus “aliados” – nomeadamente no âmbito do G7 –, para, quando oportuno e necessário, lhes “delegar” guerras por procuração, aliás como fizeram e continuam a fazer na Ucrânia com o poder xenófobo, belicista e enaltecedor dos colaboradores nazis. Escutando os responsáveis da administração norte-americana, parece claro que os EUA não se importariam que a denominada Europa Ocidental se transformasse numa grande e nova “Ucrânia” na sua política de confrontação contra a Rússia – ou seja, que os “europeus” arquem com os custos e as consequências da guerra na Europa.
Por conseguinte, é inacreditável que os arautos dos EUA, da NATO e da UE, nomeadamente em Portugal, reproduzam de forma leviana a apologia do aumento das despesas militares, da escalada armamentista, do prolongamento da guerra e da preparação para um ainda maior envolvimento em ditas “operações de alta intensidade e mobilizações prolongadas”, ou seja, na guerra – como se tal fosse inevitável e sempre ocultando as suas consequências, desde logo para os povos.
Na verdade, os EUA, a NATO e a UE são os grandes responsáveis pelo agravamento da situação na Europa e no mundo. Tenhamos presente as inúmeras agressões e guerras que promoveram e apoiaram; o incessante alargamento da NATO e da sua estrutura militar para o Leste da Europa, assim como a inserção de cada vez mais países na sua política belicista; a sistemática denúncia por parte dos EUA de todos os acordos de controlo, limitação e redução de armamentos; a paulatina militarização da UE enquanto pilar europeu da NATO; a desatinada imposição de sanções e bloqueios; o constante torpedear da soberania e dos direitos dos povos, dos princípios da Carta das Nações Unidas e da Acta Final da Conferência de Helsínquia; a hipócrita instrumentalização do direito internacional e da ONU como cobertura para as suas acções de ingerência e a agressão – entre tantos outros exemplos das suas políticas.
Acenando até à exaustão com falsas “ameaças” e instrumentalizando cinicamente os consequentes efeitos da sua acção belicista como pretexto para a agravar ainda mais, a NATO anuncia mais dezenas de biliões para os armamentos e a guerra, quando os 32 países que a integram já gastam mais em despesas militares que o conjunto de todos os outros 161 países (alguns dos quais, igualmente aliados dos EUA) que integram a ONU.
A política belicista dos EUA, da NATO e da UE constitui a maior ameaça à paz e aos povos do mundo.




