- Nº 2747 (2026/07/23)
Ao intervir na segunda-feira, 20, no acto central das comemorações do 47.º aniversário do triunfo da Revolução Popular Sandinista, celebrado no centro de Manágua, o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que as potências hegemónicas procuram dominar os povos para apoderar-se das suas riquezas. Nesse sentido, mencionou os casos de Cuba e Venezuela alvo da agressão dos EUA e expressou a sua solidariedade com os povos de ambos os países e os seus dirigentes.
Perante milhares de pessoas, Daniel Ortega recordou que Cuba permanece submetida a um bloqueio norte-americano desde há mais de 60 anos e, apesar de tudo, continua a resistir e defender o seu projecto revolucionário. «O nosso respeito, o nosso abraço, as nossas saudações para o povo de Cuba, para Raul [Castro], para Miguel Díaz-Canel», expressou o chefe do Estado nicaraguense.
De igual modo manifestou solidariedade com o povo venezuelano e com o presidente Nicolás Maduro, que o governo dos EUA mantém sequestrado num cárcere em Nova Iorque, juntamente com a deputada Cilia Flores, sua companheira. O presidente do país centro-americano qualificou de monstruosidade as acções contra a Venezuela e questionou o silêncio dos organismos internacionais perante o que considerou de agressões contra a soberania dos povos.
Daniel Ortega também alertou para a existência de sectores que considera actuarem contra os interesses nacionais e recordou uma advertência do comandante Ernesto Che Guevara: «Não se pode confiar no imperialismo, nem um pouco, de todo.»
Na sua intervenção, além disso, evocou as lutas históricas da Nicarágua contra as intervenções estrangeiras, desde a resistência de Andrés Castro durante a guerra contra os flibusteiros norte-americanos até à gesta de Augusto César Sandino, «general de homens e mulheres livres». Recordou que Sandino combateu a ocupação norte-americana e foi assassinado depois de ter sido convidado para um jantar, um crime que pretendeu, em vão, apagar o seu legado da memória do povo nicaraguense. Contudo, assinalou que a luta continuou com a juventude encabeçada pelo comandante Carlos Fonseca, fundador da Frente Sandinista de Libertação Nacional e inspirado no exemplo do “general de homens livres”.
«Quanto nos tem custado defender a Revolução, quantas batalhas!», afirmou Daniel Ortega, que reafirmou o compromisso da Nicarágua com os povos que enfrentam políticas de dominação e ingerência.