Viticultores marcam concentração para 7 de Agosto no Peso da Régua
Reunidos em plenário no domingo, 19, os viticultores do Douro marcaram uma concentração para o próximo dia 7 de Agosto no Peso da Régua para apresentar ao Governo medidas para superar a difícil situação que se vive na Região Demarcada.
O preço pelas uvas pago aos viticultores é o mesmo desde há 25 anos
Com a participação de uma centena de viticultores da Região Demarcada do Douro, o plenário convocado pela Confederação Nacional da Agricultura apela a uma «grande iniciativa de viticultores» que culmine com uma concentração junto ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP). Numa moção aprovada por unanimidade, evidencia-se a gravidade da situação e o caminho a seguir para a inverter: «É preciso levantar de novo a voz do Douro! As vezes que forem precisas! É todo um património económico, social, ambiental e cultural, construído por gerações de viticultores, que está em risco!»
À beira da vindima deste ano, os produtores referem as suas incertezas e angústias, em mais um ano «muito exigente na utilização de factores de produção» e marcado por grandes aumentos nos preços destes factores (combustíveis e fitofármacos, em particular). E, acrescenta-se, foi também mais um ano em que se chegou a Julho sem qualquer garantia quanto à comercialização das uvas: nem fixação de quantitativo do benefício, nem preço, nem contratos.
O preço pago pelas uvas aos viticultores, que surge na moção como a «questão central», continua sem resposta cabal, «mantendo-se em valores de há mais de 25 anos, apesar dos grandes aumentos dos custos de produção (combustíveis, fitofármacos, energia, fertilizantes)». Também o desequilíbrio entre o poder de mercado das grandes casas comercializadoras e exportadoras e o dos viticultores, em especial, dos pequenos e médios, se acentuou.
Os viticultores consideram-se «ostensivamente deixados à mercê de uma engrenagem que esmaga deliberadamente o modelo produtivo da região, assente em muitos milhares de pequenos e médios produtores, esmagando também o valor do seu produto e do seu património». São por isso cada vez mais os produtores com dificuldade em continuar a cultivar as suas vinhas, lê-se ainda no texto aprovado.
A moção acusa ainda as entidades responsáveis, desde o Governo ao IVDP, de se limitarem a anunciar planos e medidas pontuais, que mesmo assim «só vêem a luz do dia porque vêm sendo arrancadas a ferros pela luta dos viticultores».
Exigências aprovadas e a reafirmar
«Os viticultores durienses, reunidos em plenário, no Peso da Régua, a 19 de Julho de 2025 reclamam e exigem:
- O aumento do quantitativo do benefício;
- Que o Estado fixe preços mínimos para as uvas, estabeleça a proibição da compra de uvas abaixo dos custos de produção e estabeleça ainda a obrigatoriedade de contratos com base nestes critérios;
- Que seja estabelecido um mecanismo de aferição dos custos de produção, com base numa amostra estruturada segundo critérios territoriais e agronómicos pertinentes;
- A utilização de aguardente regional na produção do vinho generoso;
- Que seja conferida à Casa do Douro capacidade legal e operacional para ter um papel efectivo na estabilização dos stocks, através da compra e armazenamento de excedentes;
- Uma fiscalização efectiva na entrada de mostos e vinhos oriundos de fora da região;
- A compra pelo Estado de pelo menos 15 mil pipas de stocks excedentários das adegas cooperativas, refrescando os stocks armazenados na Casa do Douro;
- A concretização de uma medida de destilação de crise direccionada prioritariamente para as produções dos sócios das adegas cooperativas (através destas), e para os produtores que não tenham adquirido vinhos a terceiros, com dotação suficiente para apoiar todos os viticultores.»
Excerto da moção aprovada no plenário de dia 19 de Julho no Peso da Régua




