- Nº 2747 (2026/07/23)

A luta prossegue com a força que derrotou o pacote laboral

Trabalhadores

«Derrotado o pacote laboral, é preciso responder aos problemas dos trabalhadores e do País», apela a CGTP-IN, num manifesto em distribuição nacional, destacando a exigência de aumentos salariais.

Em Julho e Agosto, os trabalhadores e o movimento sindical unitário mantêm a luta por melhores salários, horários de trabalho dignos e regulados, em defesa dos serviços públicos e pela regulação dos preços dos bens e serviços essenciais.

A urgência de um aumento geral dos salários, em 15 por cento, com o mínimo de 150 euros, é sublinhada com o facto de metade dos trabalhadores ter um salário bruto inferior a 935 euros. Enquanto um em cada dez trabalhadores empobrece a trabalhar, há 18 grupos económicos que acumulam 30 milhões de euros por dia e os dez por cento muito ricos possuem tanta riqueza como 90 por cento da população.

«Há dinheiro, há soluções, vamos lutar por elas!» – apelo que é complementado com propostas para contrariar o «assalto aos serviços públicos e às funções sociais do Estado», que o Governo PSD/CDS tem em marcha, «com o apoio do CH e IL».

No Serviço Nacional de Saúde, «urge fixar profissionais, o que implica a sua valorização».

Na Educação, «é preciso valorizar as carreiras e todos os profissionais».

Na Habitação, «é urgente mais oferta pública» e «impor um travão no aumento das rendas».

Na protecção social, o realce vai para a defesa do sistema público de Segurança Social, com «saldos positivos muito apetecíveis para alguns». Defende-se ainda o direito à reforma aos 65 anos de idade e com 40 anos de descontos, bem como o aumento das pensões de reforma.

A CGTP-IN reafirma que, tal como sucedeu com o pacote laboral, «será a luta, mais uma vez, que abrirá as portas a uma nova política».

Além de plenários e contactos em empresas e serviços e distribuição de documentos em locais públicos (como sucedeu, no dia 6, em Castelo Branco, no Fundão e na Covilhã), a valorização da derrota do pacote laboral e o apelo à continuação da luta motivou a realização de duas acções nas ruas de Lisboa e do Porto, a 26 de Junho, e em Viana do Castelo, a 15 de Julho.

Uma «tribuna da vitória» foi convocada para anteontem, ao final da tarde, no Parque Verde Mondego, pela União dos Sindicatos de Coimbra.

 

Dia 7, no Algarve

Para 7 de Agosto, a União dos Sindicatos do Algarve (USAL) convocou um «dia de luta regional», que incluirá uma acção, a partir das 10 horas, junto da Escola Secundária João de Deus, em Faro.

A decisão foi tomada pela direcção da estrutura distrital da CGTP-IN, no dia 8, numa reunião em que se recordou que, embora sendo «uma região privilegiada para o turismo, que cresceu com mais de três milhões de hóspedes e receitas em alta», a realidade de milhares de trabalhadores é de «exploração e empobrecimento».

São «trabalhadores do sector do turismo, mas também do comércio, dos serviços e de outras áreas», para os quais «os vínculos precários, a desregulação dos horários, os baixos salários e a acumulação de empregos são o dia-a-dia», como se refere no comunicado que a União emitiu após a reunião.

Ao abordar a situação da contratação colectiva, a direcção da USAL demonstrou «preocupação com a defesa e o reforço dos direitos dos trabalhadores», porque o patronato «impede a negociação com os sindicatos de classe da CGTP-IN» e assina, com outras estruturas sindicais, convenções que prejudicam quem trabalha e, «em alguns casos, com medidas ainda mais gravosas que as inscritas no Código do Trabalho».