- Nº 2748 (2026/07/30)Pedro Jóia é um dos mais consagrados músicos portugueses e uma presença frequente na Festa do Avante!. Este ano, convidou Ney Matogrosso para partilhar o palco, vendo no artista brasileiro, seu amigo, um «farol de liberdade».
Como nasceu este concerto pensado especificamente para a Festa do Avante! e em que medida ele difere de colaborações anteriores entre ambos?
Este concerto nasce de um desafio que a organização da Festa do Avante! me fez para comemorar os 50 anos deste grande evento. O primeiro nome que me ocorreu foi o de Ney Matogrosso, pela amizade e partilha artística de tantos anos.
Pedro Jóia vem de um trajecto instrumental muito marcado pela circulação entre geografias; Ney Matogrosso é, há décadas, uma figura maior da liberdade artística no Brasil. O que vos aproxima mais profundamente?
Sempre foi, justamente, o cruzamento de linguagens musicais e liberdade criativa. Os anos que trabalhei, no Brasil, com Ney Matogrosso fazem parte desse trajecto que iniciei com a guitarra flamenca e me levou desde a música portuguesa ao Mediterrâneo, a África e à América Latina.
Num momento em que regressam moralismos e ataques a minorias, a figura de Ney continua a ser um desafio político?
Ney Matogrosso é muito mais que um artista absolutamente singular. Ele sempre foi e continuará sempre a ser um farol da liberdade de expressão e da luta contra o retrocesso, seja ele qual for.
O cruzamento Portugal-Brasil que propõem é sobretudo musical ou também uma conversa entre histórias de resistência e emancipação?
A música, muitas vezes, não é só um veículo lúdico. Para mim é uma expressão artística, mas também intelectual, no sentido em que carrega consigo conceitos e histórias, vivências e aprendizagens. Tanto o Ney como eu cremos que através da música todos podemos viver melhor e com mais respeito e tolerância. Os nossos dois países vivem actualmente um momento de grande respeito, amizade e cumplicidade.
Sem estragar as surpresas, que universo de repertório imaginam revelar ao público da Atalaia?
Quanto a isso terão mesmo que estar lá para verem e ouvirem…