- Nº 2748 (2026/07/30)Nos dias 24, 25 e 26 de Julho, cerca de duas centenas os jovens acudiram ao apelo para participar no Acampamento pela Paz, em Sines, realizado no âmbito da Jornada Mundial Anti-imperialista de Solidariedade com os Povos em Luta, convocada pela Federação Mundial da Juventude Democrática. Solidariedade, luta pela paz, alegria, música, convívio – muitas palavras descrevem o Acampamento, organizado pelo Comité Nacional Preparatório (CNP) de Portugal do 20.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que já congrega 69 organizações.
Durante todo o dia de sexta-feira, 24, já se sentia o fervor e o entusiasmo nos autocarros que partiram de norte a sul para Sines. Ali, os participantes foram recebidos pelo sol agradável e por uma cidade em festa – estava já a decorrer o Festival Músicas do Mundo, organizado pela Câmara Municipal de Sines, alimentando ainda mais um ambiente de alegria com a presença de dezenas de milhares de pessoas.
Montadas as tendas junto ao pavilhão multiusos, seguiram todos para o Salão do Povo, no centro de Sines, onde se fizeram as refeições durante os três dias e onde Inês Jorge, do Projecto Ruído, e Ana Correia, vereadora da CDU, fizeram a saudação de boas-vindas. Em particular, a autarca salientou a importância da organização da juventude para fazer o mundo avançar.
À noite, decorreu a festa A América Latina não se rende, na qual a DJ R4kel animou e fez brilhar o anfiteatro ao ar livre do Jardim do IOS, combinando sons variados e construindo uma energia contagiante na pista de dança. Antes da actuação, intervieram Leonor Pintassilgo, do Voz aos Estudantes, e João Terreiro, da Associação de Amizade Portugal-Cuba.
O que fazer?
No sábado, 25, depois do almoço, teve lugar o debate Luta anti-imperialista, contra a guerra, pela paz, na Sociedade Musical União Recreio e Sport Sineense, moderado por Vitória Carvalho, do CNP e onde, além dos oradores, intervieram membros do público.
Tiago Oliveira começou por definir o imperialismo como a fase superior do capitalismo, caracterizado pelo domínio dos monopólios económicos e a busca por recursos naturais e novos mercados, como está claro na Venezuela, no Irão ou na Europa. Expôs que os gastos com o militarismo e a indústria das armas representam o dinheiro em falta no SNS e na escola pública, e sublinhou que a derrota do pacote laboral é um exemplo de que é possível conquistar direitos com a luta.
Pedro Pezarat Correia, general, antigo conselheiro da revolução, professor e especialista em estratégia e geopolítica, descreveu a situação internacional como o esbracejar da potência hegemónica em declínio. Os EUA tentam manter à força o seu domínio sobre o mundo (com Cuba e Venezuela como exemplos marcantes desta atitude imperialista), perante o desenvolvimento de países que questionam o seu domínio, como a China. O militar lançou, ainda, um desafio à juventude: responder à questão «o que fazer?».
Gonçalo Lopes, presidente da FMJD, procurou dar resposta à pergunta, expondo as frentes de trabalho da luta contra o imperialismo, onde a juventude assume um notável protagonismo. O dirigente destacou a importância da Federação e das suas 250 organizações-membros de mais de 100 países, do movimento dos festivais mundiais, das campanhas de solidariedade e da unidade da juventude em torno dos seus interesses e objectivos principais, de que é exemplo a Jornada Mundial Anti-imperialista.
Os jovens estão lá
O terceiro dia, 26, ainda deu tempo para as últimas actividades do Acampamento, com um torneio de futebol no Grupo Desportivo Baixa de São Pedro, que juntou várias equipas.
A avenida marginal à praia foi tela para a pintura de um grande mural, dinamizada pela AEESAD.CR, AEFBAUL e FAR, onde as exigências por uma paz duradoura, a solidariedade entre os povos, o anti-imperialismo e a autodeterminação e direitos se conjugaram com a figura de uma pomba, ao lado da frase «A juventude está presente». Em conjunto com uma faixa gigante largada dos passadiços dos Penedos da Índia, o Acampamento deixou a sua presença nas ruas de Sines.
No regresso a casa, ficou a certeza de um fim-de-semana cheio e memorável, de luta e afirmação da paz e de construção de um mundo mais justo. Como tanto se repetiu nestes três dias, é com a FMJD que a juventude vai vencer!
Vozes pela paz enchem as ruas de Sines
Ao final da tarde de dia 25, o Acampamento levou a luta pela paz e um mundo mais justo para as ruas de Sines, com um desfile que partiu do Jardim do IOS e percorreu a cidade, em direcção à praia.
Entre palavras de ordem pela paz e o fim da guerra, ao som de tambores e megafones, Sines encheu-se de bandeiras portuguesas, palestinianas, cubanas, venezuelanas e das organizações que integram o CNP e a FMJD. Houve, até, um “cabeçudo” a representar um Donald Trump a mendigar dinheiro para as guerras imperialistas.
O desfile foi acompanhado por saudações e palmas dos transeuntes e teve por destino a Avenida Vasco da Gama, onde decorreu a Tribuna Anti-imperialista.
Gonçalo Lopes, José Oliveira, Tiago Oliveira, Maria João Falcão (Interjovem), Tiago Antunes (AEFCSH) e Bianca Castro (activista pelo ambiente) tomaram o palco para exigir a paz e o fim do imperialismo, das suas ingerências e guerras. Ficou expressa a solidariedade com os povos em luta, desde a Palestina ao Líbano, passando pelo Irão, por Cuba, Venezuela e restante América Latina, pelo Sara Ocidental e pelo Chipre e demais povos europeus que resistem.
Findo o dia de sábado, as actividades não acabaram: os participantes encheram a avenida e os seus restaurantes e bares, juntando-se a milhares de outros jovens, ao convívio, a aproveitar a boa culinária de Sines e os concertos do Festival Músicas do Mundo.
Swim with Gaza
A manhã de sábado foi passada na praia Vasco da Gama, que se encheu com bandeiras da Palestina para a iniciativa Swim with Gaza, realizada em conjunto com o MPPM.
Nesta acção, Marta Parente, da Ecolojovem «Os Verdes», e José Oliveira, do MPPM, assinalaram a solidariedade com o povo palestiniano, pelo fim do genocídio e das agressões israelitas, no âmbito de um movimento internacional de ajuda e apoio às crianças de Gaza.
Antes, decorreu um torneio amigável de voleibol, o workshop de tricô Ponto a ponto, construímos a paz! e a oficina de cianotipia Cores da resistência, dinamizada pela FAR e pelas associações de estudantes da ESAD.CR e da FBAUL.