- Nº 2748 (2026/07/30)

Manifestações na Índia forçam demissão do ministro da Educação

Internacional

Na Índia, o governo e o movimento Bharatya Janata Party (BJP), cujos membros, sobretudo jovens, tornaram-se conhecidos por «baratas», chegaram no sábado, 25, a acordo para o fim dos protestos nacionais, após ser conhecida a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.

Dirigentes do partido afirmaram que o governo central aceitou as suas exigências principais, depois de semanas de protestos contra as fraudes (conhecimento antecipado das provas) nos exames de acesso a carreiras universitárias.

De acordo com o porta-voz nacional do BJP, Ashutosh Ranka, o governo de Nova Delhi aceitou a demissão do ministro, a retirada de todas as queixas policiais e processos judiciais contra os manifestantes e organizadores e uma indemnização de 10 milhões de rupias (cerca de 103 mil dólares) às famílias dos que perderam a vida em suicídios ligados à revelação ilegal das provas.

A luta dos estudantes, incluindo manifestações, concentrações e greves de fome por todo o país, começou em Maio, quando foram reveladas antecipadamente perguntas do exame nacional de admissão às universidades, a que se apresentaram mais de dois milhões de candidatos. O exame foi anulado e repetido em Junho, provocando manifestações massivas e denúncias de corrupção no sistema educativo, contexto em que surgiu o BJP, que amplificou as exigências nas redes sociais e nas ruas.

PCI(M) quer outra política de educação

O Partido Comunista da Índia (Marxista) condenou a violência policial contra as manifestações pacíficas e felicitou os estudantes e outros jovens do país por combaterem as fraudes nos exames de admissão às universidades.

Numa declaração divulgada no dia 25, a direcção do PCI(M) destaca que «esta vitória não teria sido possível sem a firme determinação e os sacrifícios demonstrados pelos estudantes e jovens do país, apoiados por vários sectores do povo, que se recusaram a ceder mesmo perante bastonadas e outras medidas repressivas usadas pela administração sob ordens do governo da União».

Para os comunistas indianos, «a coragem e a determinação mostradas pelos jovens são um bom presságio para a democracia indiana».

Embora tenha recebido com agrado a demissão do ministro da Educação, o PCI(M) considera que esta deveria ser seguida pela dissolução da Agência Nacional de Exames, que é a principal responsável pelas repetidas fugas de informação das provas.

O CPI(M) reiterou a sua exigência pela descentralização dos exames e sublinhou que a actual política nacional de educação, «que tem a comercialização, centralização e comunitarização como núcleo», também deve ser abolida.

Os comunistas manifestaram a esperança de que estudantes e movimentos juvenis façam campanha e se mobilizem em torno destas exigências que afectam o seu futuro.