- Nº 2748 (2026/07/30)

Estudantes chumbam Governo e exigem demissão do ministro

Nacional

Mais de uma centena de estudantes, professores e representantes de organizações manifestaram-se, a 24 de Julho, junto ao Ministério da Educação, numa acção convocada pelo Chumbado.pt contra os problemas na correcção e classificação dos Exames Nacionais do Ensino Secundário (ENES).

Sob palavras de ordem como «Ministro escuta, os estudantes estão em luta» e «Estudantes unidos jamais serão vencidos», os manifestantes denunciaram as falhas técnicas associadas à plataforma de classificação digital e acusaram o Ministério da Educação de colocar em causa a igualdade de tratamento dos alunos.

Durante o protesto, o movimento apresentou um manifesto com um conjunto de «exigências inegociáveis», defendendo uma avaliação justa e transparente para todos os estudantes, a isenção das taxas de reapreciação dos exames, o abandono da actual plataforma de classificação, o alargamento dos prazos de candidatura ao Ensino Superior e a regularização das fichas ENES. Os estudantes voltaram ainda a exigir a demissão do ministro da Educação, Fernando Alexandre.

Entre os testemunhos citados pela Lusa, Sara Ferreira, aluna da Escola Artística António Arroio, denunciou que a sua prova de Português terá sido corrigida sem que os classificadores tivessem acesso à ficha que reconhece as adaptações a que tem direito devido à dislexia, situação que a levou a pedir a reapreciação do exame.

A manifestação contou com o apoio da Associação Académica de Coimbra, do Movimento Vida Justa, da Missão Escola Pública, do SOS Escola Pública e da Fenprof. A federação de professores considerou que se instalou um «caos» no processo de exames, criticando igualmente o custo da reapreciação das provas e a ausência de soluções para os problemas verificados.

Solidariedade do PCP
O protesto contou ainda com a participação de uma delegação do PCP, da qual fez parte António Filipe. O dirigente comunista afirmou compreender a exigência dos estudantes de demissão do ministro da Educação, mas defendeu que «mais importante» é responsabilizar o Governo que o nomeou e mantém em funções. «Mais do que a demissão do ministro, é preciso derrotar o Governo», afirmou.

António Filipe considerou que a situação criada em torno dos Exames Nacionais é consequência da «política de desmantelamento do Estado» seguida pelo Executivo PSD/CDS, acusando-o de criar «uma situação insustentável para milhares de estudantes num ano decisivo das suas vidas». Defendeu uma política de respeito pela Escola Pública e pelas responsabilidades do Estado na garantia do acesso ao Ensino Superior, classificando como um «fracasso total» a política educativa do Governo.

O dirigente comunista acusou ainda o Executivo de procurar «culpar toda a gente, menos a si próprio», rejeitando que escolas e professores sejam responsabilizados pelos problemas verificados. Sublinhou também que o primeiro-ministro «não pode fugir às suas responsabilidades», por ter nomeado e continuar a apoiar o ministro da Educação.

Referindo-se à iniciativa anunciada pelo PS para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito, António Filipe afirmou que a Assembleia da República deverá recorrer a todos os instrumentos regimentais ao seu dispor para apurar responsabilidades e garantir que o Governo responde perante o Parlamento e o País. Acrescentou ainda que, caso se confirmem prejuízos concretos para alunos afectados pelas falhas no processo de exames, terão de ser adoptadas medidas para repor a igualdade de tratamento e salvaguardar os seus direitos.