Dados do INE desmentem discurso do Governo sobre a agricultura

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) considera que as Estatísticas Agrícolas 2025, divulgadas pelo INE, confirmam a degradação da situação do sector, com a quebra de 4,5% do rendimento real da actividade agrícola.

É preciso assegurar rendimentos justos para quem produz

A CNA afirma que os dados das Estatísticas Agrícolas 2025, divulgados recentemente pelo INE, desmentem o discurso do Ministério da Agricultura sobre a evolução do sector, sustentando que a realidade vivida pelos agricultores continua a ser marcada pela perda de rendimentos e pelo agravamento da dependência alimentar do País.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, 24 de Julho, a Confederação destaca que o rendimento real da actividade agrícola diminuiu 4,5% em 2025, considerando que este resultado confirma as dificuldades económicas enfrentadas pela maioria dos agricultores. A CNA sustenta ainda que a melhoria dos rendimentos anunciada para 2024 só foi possível devido à contabilização de pagamentos de ajudas em atraso.

A organização alerta igualmente para o agravamento da situação em 2026, apontando os cortes nas verbas do Orçamento do Estado para a Agricultura, os prejuízos provocados pelas intempéries, o aumento dos custos de produção, agravado pelo conflito no Médio Oriente, e os atrasos no pagamento dos apoios prometidos aos agricultores.

Aumento do défice da balança agro-alimentar
Outro dos aspectos destacados é o aumento do défice da balança agro-alimentar, que passou de 5,1 mil milhões para 6,3 mil milhões de euros. Para a CNA, este resultado evidencia uma crescente dependência das importações e afasta o País do objectivo da soberania alimentar.

A Confederação critica ainda a política comercial da União Europeia, considerando que os acordos com países terceiros expõem os agricultores portugueses a uma concorrência desleal, uma vez que muitos dos produtos importados são produzidos com menores custos e sem cumprir as mesmas exigências impostas à produção nacional.

Perante este quadro, a CNA defende a adopção de medidas que assegurem rendimentos justos para quem produz, nomeadamente a proibição da compra de produtos agrícolas abaixo dos custos de produção, a regulação dos preços dos factores de produção, o pagamento atempado dos apoios e a exclusão da agricultura dos acordos comerciais da União Europeia. A organização reafirma que é necessário colocar a produção nacional e os agricultores no centro das políticas públicas para garantir a segurança e a soberania alimentares.

Viticultores saem à rua
No dia 7 de Agosto, os viticultores da Região Demarcada do Douro vão concentrar-se, às 10h00, junto ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no Peso da Régua, para exigir medidas urgentes que respondam à crise que afecta o sector. A decisão foi tomada por unanimidade no plenário promovido pela CNA e pela AVADOURIENSE, a 19 de Julho, onde foi aprovada uma moção com um conjunto de propostas dirigidas ao Governo.

Entre as principais reivindicações estão a proibição da compra de uvas abaixo dos custos de produção, a implementação de uma destilação de crise com dotação suficiente, a utilização de aguardente regional na produção de vinho do Porto e o reforço do papel da Casa do Douro na estabilização dos «stocks».

Os viticultores alertam que continuam a vender uvas abaixo dos custos de produção, sem contratos e a preços praticamente inalterados há décadas, enquanto os custos aumentam e muitos produtores enfrentam dificuldades em escoar a produção. Consideram ainda insuficiente o quantitativo de benefício fixado para a vindima deste ano, defendendo que só medidas estruturais poderão garantir o futuro da viticultura duriense.

 



Mais artigos de: Nacional

Estudantes chumbam Governo e exigem demissão do ministro

Mais de uma centena de estudantes, professores e representantes de organizações manifestaram-se, a 24 de Julho, junto ao Ministério da Educação, numa acção convocada pelo Chumbado.pt contra os problemas na correcção e classificação dos Exames Nacionais do Ensino Secundário (ENES).

APJD leva denúncia ao Comité Internacional da Cruz Vermelha

A Associação Portuguesa dos Juristas Democratas (APJD) apresentou uma denúncia formal ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR), com sede em Genebra (Suíça), contra o tenente-general Marco Serronha, vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, acusando-o de violação grave dos princípios fundamentais do Movimento da...