- Nº 2748 (2026/07/30)

“Padrões europeus”

Opinião

Eurostat: “Números chave da Europa 2025”. Ignorando o tomarem-se pela “Europa”, terá utilidade para vislumbrar alguma da realidade em causa. E constatar como Portugal acompanha os “padrões europeus” em tudo o que é negativo.

O desemprego na UE ia nos 210 milhões. Com os jovens - 9% do emprego total - a representar 15,9% do emprego a tempo parcial, 33,3% dos contratos a termo. E 15% dos desempregados.

O quintil mais rico tem um rendimento 4,6 vezes superior ao do quintil mais pobre. 92,7 milhões em risco de pobreza. Mais de 40% da população impossibilitada de fazer face a uma despesa imprevista. 27,5% não tem condições para fazer uma semana de férias anual fora de casa. Portugal está em 6.º lugar entre os piores nisso, mas tem o privilégio de estar entre os que dispõem de excedente orçamental, a milhas das coitadas França, Itália, Bélgica, Áustria e outras, que não o têm.

Se a desindustrialização devastou por cá, é também porque seguiu um padrão UE. Nesta, entre 2000 e 2025, o valor acrescentado nos serviços passa de 69,5% a 73,5% do total. Na indústria passa de 22,4% a 19,2%. Na agricultura, floresta e pescas de 2,4% a 1,8%. Entre 2015 e 2025 o sector de serviços cresce mais de 130%, o sector industrial 5%. Uma economia sobre os pés de barro da financeirização e do capital fictício.

Veja-se o Luxemburgo, “sede da indústria global dos fundos”. Minúsculo território, 0,5% do PIB UE, paraíso fiscal onde são geridos “triliões € em activos”. Uma entidade, Clearstream, tem “22 triliões de activos sob custódia, 260.000 milhões em fundos de investimento abertos, 930 biliões em garantias consignadas” (o PIB conjunto da UE eram 18,8 triliões). Tem 660 mil habitantes. É o centro de uma engrenagem económica sem sustentação real, a caminho do desastre. É membro e participa nas agressões NATO, com 17 aviões de vigilância e comando (AWACS) em seu nome.

Parece como se a UE, com mais algumas contradições, tivesse os traços de um Luxemburgo ampliado.

Filipe Diniz