“Policrise” e desgaste da AD

Carlos Gonçalves

O Expresso referia que a “policrise” reentrou no léxico político, sem que a direcção do semanário (é claro) a considere um conceito próximo da crise sistémica capitalista, ou até da crise do Governo. Mas a verdade é que a realidade de hoje evidencia a “policrise” de um País em crise capitalista e de governo, na economia, na política, na intervenção social e fractura cultural, no puzzle de contradições de classe, de grande dimensão e complexidade, sem saída em “tempo útil” por agora.

Como se evidenciou no estado da nação na AR, por denúncia do PCP: esta espécie de “policrise”, posterior à grande derrota da AD no pacote laboral, aprofundada e em acelerada degradação da distribuição da riqueza, da exploração dos trabalhadores e do povo, dos salários e pensões de miséria, do custo de vida, da Escola Pública, do SNS, da habitação, etc., projecta-se e aprofunda-se na crise política do Governo, de ministros e “proxys”, como uma verdadeira “policrise” que, mais que somar crises, as multiplica e potencia.

Aqui chegados, a questão omnipresente nos media dominantes é se o País, o Governo e a sua “policrise”, estão ou não desgastados, quem se “aguenta”, quem e como vai ser “remodelado”, mas nada dizem sobre quando e como os trabalhadores e o povo vão prosseguir a luta que já os derrotou - AD, CH, IL e seus mandantes – nas leis laborais e que vai pesar para o próximo futuro.

O desgaste do Governo é evidente, os problemas agravam-se e aprofundam-se. Mas toda a polémica, mesmo a mais ruidosa, sobre a “policrise”, o desgaste da AD e da(s) sua(s) política(s) - importante pelo que se vai sabendo e pela luta que avança -, corre o risco de ser improfícua.

Os media dominantes, a direita, as suas expressões mais reaccionárias ou o PS não preconizam uma política de facto alternativa, de ruptura com a política de direita deste Governo. E nenhum deles tem condições para uma efectiva crise política ou defender eleições.

Montenegro, nesta fase, não se vai demitir, vai “governar nas férias”, em propaganda permanente, para tentar ainda concretizar os planos perversos de subversão de Abril.

E os trabalhadores e o povo vão cumprir o seu papel, lutar e agravar ainda mais o desgaste deste Governo e da sua política e abrir o caminho a um Portugal com futuro.



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