- Nº 2748 (2026/07/30)
A informação divulgada de que o primeiro-ministro não vai tirar férias de verão só pode soar a ameaça. Quem aspirasse esperançosamente a ver no anúncio de um governo a banhos sinal que isso correspondesse a um curto, mas mesmo assim saudável, interregno no frenesim destruidor da actividade governativa com a correspondente pausa na infernização da vida dos portugueses, desengane-se. Anunciada a partir do seu gabinete com aquele intuito de dar mostras de sacrifício em nome do interesse comum – áurea de abnegação só interrompida com as três deslocações ao outro lado do Atlântico para tomar contacto com essa dimensão de portugalidade que vislumbra no futebol –, o que se prenuncia é tão só a expressão de um governo apressado em dar cabo da vida dos portugueses.
Não satisfeito ainda com o estado a que tem conduzido a Nação, o real e não o que Montenegro e ajudantes insistem em colorir, aí está na acção do Governo esse continuado trajecto de agravamento das condições de vida, de ataque a direitos e de comprometimento do futuro. Um trajecto que se vai fazendo a partir do seu próprio programa e opções, assessorado sempre que necessário e à vez, conforme a ocasião, ora por PS, ora por Chega e IL. Com expressões mais mediatizadas como as que inevitavelmente o caos nos exames suscitou, adicionadas a outras que não menos graves se perfilam no ataque ao direito à habitação e à protecção no arrendamento, na limitação de apoios sociais com a PSU, no ambicionado assalto à Segurança Social ou na ensejada alienação de empresas estratégicas.
Sempre acompanhado de uma barragem de propaganda e falsificações como a que de novo ganhou fôlego com a tese da falhanço do Estado a pretexto dos exames nacionais, escondendo que o que “falhou”, se não soubéssemos que não é falhanço mas sim estratégia, é a política que desmantela a administração pública e liquida estruturas ministeriais para operacionalizar opções de liberalização e favorecimento de interesses privados sobre o interesse público.