- Nº 2748 (2026/07/30)

Soberania energética como tapa-buracos

Trabalhadores

«A soberania energética não se vende para tapar buracos», protestou a Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal, na sexta-feira, dia 24, exigindo que o Governo recue na intenção de alienar a participação, de mais de oito por cento, que o Estado (através da Parpública) detém na Galp Energia, para que a receita componha as contas públicas, com uma redução da dívida.

Rejeitando este raciocínio, a CCT afirma que «vender a última participação relevante do Estado na Galp não é gestão responsável das contas públicas», mas «trocar um instrumento de influência estratégica de longo prazo por um alívio contabilístico de curto prazo». Ou seja, «é a liquidação, a preço de saldo, de qualquer capacidade de o País decidir sobre o seu próprio futuro energético».

A ideia da alienação surgiu no relatório do grupo de trabalho sobre o sector empresarial do Estado, divulgado dia 23. No entanto, como observou a CCT, num comunicado de dia 24, «o próprio relatório reconhece, preto no branco, que esta participação assegura ao Estado um posicionamento relevante na estrutura accionista de referência da Galp». Assim, permite «acompanhar a gestão de um operador essencial ao aprovisionamento energético e à transição energética do País, do qual fazem parte a refinaria e a rede de terminais».

Mas o relatório, acrescenta a CCT, «reconhece ainda que os dividendos desta participação têm contribuído para a sustentabilidade financeira da Parpública e para o retorno ao accionista Estado».

Assinalando que esta intenção não é um caso isolado, a CCT notou que ela foi revelada na mesma semana em que o Governo anunciou a venda de participações residuais em empresas como os CTT, a NOS ou a Navigator. Para a estrutura representativa dos trabalhadores da maior empresa da Galp, há «um padrão, o património estratégico do Estado a ser desmantelado peça a peça, sempre justificado pela mesma lógica de curto prazo».

Entretanto,«o negócio Galp Moeve avança, sem esclarecimentos sobre o futuro da refinaria e sem garantias de emprego», alertou ainda a CCT, recordando que «já vimos este filme em Matosinhos».