O País inteiro na Festa
As Organizações Regionais do PCP voltam a fazer da Festa do Avante! um retrato vivo do País. Em cada espaço encontram-se as lutas dos trabalhadores e das populações, as reivindicações por melhores condições de vida, a denúncia das consequências de décadas de política de direita e a afirmação das propostas do Partido para um Portugal mais desenvolvido, mais justo e soberano. Ao mesmo tempo, estes espaços dão expressão à riqueza cultural, histórica, gastronómica e patrimonial de cada região, fazendo da Festa um ponto de encontro de todo o País.
Retrato vivo de um País que resiste, luta e constrói alternativas
Os Açores assinalam os 50 anos da Autonomia Regional, revisitando um percurso de conquistas, avanços e recuos que marcaram meio século de autonomia. A exposição sublinha o seu papel no desenvolvimento da Região e na defesa dos interesses do povo açoriano, reafirmando a necessidade do seu aprofundamento. Na Madeira, a exposição «Uma ponte visual entre o Bordado Madeira e a Tatuagem» estabelece um diálogo entre tradição e contemporaneidade. Através de fotografias e testemunhos, presta homenagem às mulheres bordadeiras que, durante décadas, produziram nas suas casas as peças encomendadas pelas fábricas de bordados e mostra como os motivos do tradicional Bordado Madeira continuam hoje a inspirar jovens tatuadores da Região, dando nova expressão a um património cultural único.
O espaço do Alentejo, que reúne as organizações de Beja, Évora, Litoral Alentejano e Portalegre, assinala os 50 anos da Constituição da República Portuguesa (CRP), destacando uma das suas maiores conquistas: o Poder Local Democrático, instrumento de proximidade, participação e desenvolvimento das populações. A exigência da Regionalização estará igualmente presente. A cultura alentejana ocupará lugar de destaque, com um espaço dedicado ao Cante Alentejano e à música tradicional. «O Largo», onde será possível degustar petiscos e vinhos da região, homenageia este ano Manuel da Fonseca, enquanto a decoração evoca as coloridas Festas do Povo de Campo Maior.
No Algarve, o tema central será a situação da saúde na região, a luta dos trabalhadores e das populações em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a intervenção do PCP para garantir cuidados de saúde públicos, universais e de qualidade.
Aveiro leva à Festa a arte-xávega, uma das mais emblemáticas artes tradicionais da pesca portuguesa. A exposição dará a conhecer esta técnica artesanal, a sua evolução ao longo do tempo e o profundo vínculo que mantém com as comunidades piscatórias da região.
Em Braga, o destaque vai para a cultura popular minhota e para os instrumentos musicais tradicionais que acompanham romarias, festas e cantares. Bragança valoriza a música tradicional transmontana, com especial referência à Carvalhesa de Tuizelo, símbolo da identidade, da resistência e do espírito comunitário das gentes de Trás-os-Montes.
As organizações de Castelo Branco e da Guarda voltam a partilhar um espaço comum, evocando as lutas dos trabalhadores dos lanifícios, ontem e hoje, num sector profundamente ligado à história económica e social da Beira Interior.
Coimbra centra a sua participação na bacia hidrográfica do Mondego, valorizando a importância do rio para o distrito e destacando a luta das populações e dos pequenos produtores pelo acesso justo à água. A exposição denuncia os efeitos da política de direita na gestão dos recursos hídricos e apresenta as propostas do PCP para uma gestão pública e integrada da bacia hidrográfica.
Sob o lema «Intempéries 2026 – Soberania, Serviços Públicos, Produção Nacional», Leiria evidencia como décadas de privatizações, desinvestimento e destruição da capacidade produtiva nacional fragilizaram a resposta do País perante situações de emergência, reafirmando a necessidade de reforçar os serviços públicos e a produção nacional.
Inspirando-se na obra de Ary dos Santos, Lisboa presta homenagem ao grande poeta da Revolução e da cultura popular portuguesa. O espaço mantém os tradicionais Alfarrabista, Feira da Ladra, Pavilhão do Coleccionador, Sai-Sempre e Loja de Lisboa, a par de um programa diário pensado para todas as idades, com especial atenção às crianças, aos jovens e às famílias.
A Organização Regional do Porto presta homenagem a Carlos Paredes, através de uma exposição dedicada à sua ligação ao norte do País e ao contributo ímpar que deu à cultura portuguesa. Estarão igualmente em destaque as lutas desenvolvidas no distrito em defesa dos direitos dos trabalhadores, do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, da mobilidade e dos restantes serviços públicos.
Santarém homenageia Fernando Lopes-Graça, um dos maiores compositores portugueses e destacado resistente antifascista. A exposição percorre a sua vida e obra, marcada pelo compromisso com a liberdade, a democracia, a paz e a valorização da música popular portuguesa, recordando igualmente a sua militância comunista e o combate que travou contra a ditadura fascista.
Na participação da Organização Regional de Setúbal, dois grandes temas estruturam o espaço. Por um lado, o direito à mobilidade, através de uma exposição dedicada aos transportes ferroviários, fluviais e rodoviários, questão central para centenas de milhares de trabalhadores e populações da Península. Por outro, a valorização do trabalho com direitos, destacando a luta por melhores salários, horários regulados, estabilidade no emprego e dignidade para quem produz a riqueza do País.
Viana do Castelo assinala o 55.º aniversário do Parque Nacional da Peneda-Gerês, reafirmando a importância deste património natural, ambiental e cultural e defendendo uma política que concilie a preservação da natureza com o desenvolvimento económico e social das populações que vivem no Parque.
Em Vila Real, o tema da soberania alimentar ganha expressão através da valorização da produção de batata no Alto Tâmega, evidenciando a importância da agricultura nacional e da produção local para o desenvolvimento do País.
Já Viseu recorda a Lei dos Baldios como uma das grandes conquistas das populações serranas, exemplo da gestão comunitária da terra e da defesa dos interesses colectivos.
Imigração, Emigração e Mulher em defesa dos direitos e da igualdade
O Pavilhão da Imigração volta a afirmar-se como um espaço de diversidade cultural e de solidariedade entre os povos. Sob o tema «A ofensiva do capital e a luta dos imigrantes», o espaço denuncia a utilização da precariedade, da discriminação e da xenofobia para dividir os trabalhadores, impor baixos salários e enfraquecer a luta colectiva. Em resposta, o PCP defende a regularização plena dos trabalhadores imigrantes, a igualdade de direitos, leis justas de regularização e o acesso à habitação, à saúde e aos restantes direitos sociais, reafirmando o combate à extrema-direita, ao racismo e à xenofobia.
O Pavilhão da Emigração será, mais uma vez, ponto de encontro dos portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro e de todos os visitantes da Festa. Além do convívio, oferece petiscos tradicionais, como a salsicha alemã, as tapas de queijo de Espanha, o chouriço assado, o pica-pau, o cozido à portuguesa e opções vegetarianas. Uma exposição dedicada à emigração portuguesa dará a conhecer a intervenção do Partido junto das comunidades emigrantes, a defesa da igualdade de direitos sociais, laborais e políticos e a denúncia das políticas que continuam a empurrar milhares de portugueses para a emigração.
No Pavilhão da Mulher assinala-se os 50 anos da aprovação da CRP, destacando o papel das mulheres na conquista e defesa dos direitos, da igualdade, da justiça social e da Paz. O espaço evoca igualmente os 50 anos da Festa do Avante!, celebrando meio século de convívio, solidariedade e luta. No Bar da Igualdade e nos debates que ali decorrerão, reafirma-se que, também em Festa, a luta continua.




