Vampiros
Hiroshimas nunca mais
Assinala-se hoje 81 anos da bomba atómica sobre Hiroshima, seguida três dias mais tarde pela de Nagasáqui. A ‘democracia’ norte-americana, farol dos ‘valores ocidentais’, marcou o fim da II Guerra Mundial com dois monstruosos crimes que lembram os crimes do nazi-fascismo. Raras vezes terão sido mortos tantos seres humanos em tão curto espaço de tempo. Mas os efeitos da radioactividade não se ficam pelo momento do ataque. As vítimas totalizaram centenas de milhares. Como marca distintiva do imperialismo, os alvos eram civis. O objectivo era submeter pelo terror. Já era uma tese defendida pelo imperialismo britânico, explicitada com linguagem de classe nas directivas do Ministério do Ar ao Comando de Bombardeamentos no Verão de 1941: destruir «o moral da população civil no seu conjunto e dos operários da indústria em particular», focando-se «nas cidades industriais congestionadas onde o efeito psicológico será maior» (biografia de Churchill, de Clive Ponting, Sinclair-Stevenson, 1995, p. 539). E assim lançaram os blitzs sobre Hamburgo e Dresden, com bombas incendiárias a transformarem essas cidades alemãs em bolas de fogo, matando muitas dezenas de milhares de pessoas. Numa única noite, os EUA mataram 100 mil pessoas em Tóquio, no blitz de 9-10 Março de 1945, ‘feito’ repetido em 67 cidades japonesas (ver as confissões do ex-Ministro da Defesa dos EUA, McNamara, no documentário de Errol Morris, The Fog of War, 2003). Estrearam as armas atómicas quando o Japão já tinha pedido negociações para se render. Os EUA não pensavam apenas na guerra que acabava, mas sobretudo na que iam começar.
Após a II Guerra Mundial, o imperialismo norte-americano passou ao combate à vaga de libertação nacional e social que varreu o planeta com a derrota do nazi-fascismo. No Japão e na RF da Alemanha, ocupados pelos EUA, fascistas derrotados continuaram ocupando lugares de poder, embora mudando de fatiota e passando a dizer ‘yes’. Salazar foi co-fundador da NATO. As novas vítimas do imperialismo norte-americano passaram a ser os que haviam combatido o nazi-fascismo e lutavam pela libertação dos seus povos. Os EUA desencadearam brutais guerras, com o uso de armas de destruição em massa, químicas a biológicas. Foi assim na Coreia, Vietname, Laos, Cambodja, Grécia e em tantos outros sítios. A chamada ‘Guerra Fria’ foi tudo menos fria. Custou a vida a milhões de pessoas e destruiu países inteiros. Continua a ser assim hoje, como se vê no genocídio do povo da Palestina ou no martírio dos povos do Médio Oriente, não apenas às mãos de Israel, mas dos EUA e das potências imperialistas que, abertamente ou pela calada, os promovem e protegem. E como reflectido nas inconcebíveis declarações do General Serronha (Vice-Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa!) que, na CNN Portugal, defendeu o uso de armas nucleares contra o Irão (26.3.26).
As cerimónias fúnebres do belicista-mor Senador Lindsey Graham foram um autêntico baile de vampiros do ‘partido da guerra’. Até Trump confessou que Graham «gostava da guerra» e «nunca viu uma guerra de que não gostasse» (eu.usatoday.com, 28.7.26). Presentes na macabra homenagem estavam Trump, Netanyahu e Zelenski. O que é esclarecedor. Mas também, da UE, o Presidente da Finlândia, Stubb. Igualmente esclarecedor. E ainda há quem, fingindo ser ‘livre’ e ‘de esquerda’, nos queira convencer a trocar as despesas sociais por mais militarização e mais guerra. Hiroshimas nunca mais!




