- Nº 2750 (2026/08/13)

Luta, Festa, solidariedade

Editorial

As consequências da política de direita não tiram férias em Agosto: os baixos salários, a precariedade, as pensões baixas, num quadro de aumento do custo de vida, de dificuldades de acesso à habitação e aos serviços públicos, contrastam com os lucros que os grupos económicos continuam a amealhar.

Os cinco maiores bancos a operar em Portugal anunciaram lucros conjuntos no primeiro semestre de 2.519 milhões de euros. Estes 14 milhões de euros diários são um verdadeiro sorvedouro de recursos do País, com custos para a actividade económica, especialmente para as micro, pequenas e médias empresas e para os trabalhadores e as suas famílias. A dimensão destes lucros não é nem a expressão das virtudes da banca nem da situação económica do País. É, isso sim, uma ilustração de uma política ao serviço do capital com a qual é preciso romper.

Enquanto quem vive e trabalha em Portugal tem dificuldades em garantir as necessidades básicas – alimentação, habitação, saúde, educação – o Governo, as forças que o apoiam e o grande capital continuam a promover uma política apostada em transformar cada problema do país numa área de negócio. É assim no aumento dos preços, nomeadamente dos combustíveis, com o seu cortejo de consequências directas e indirectas. É assim na habitação, em que não há sinais de inversão na escalada de preços, seja na compra de casa própria ou no arrendamento, estando na forja mais medidas que aprofundarão este caminho. É assim nas dificuldades de acesso ao Serviço Nacional de Saúde, seja por via dos cuidados de saúde primários ou em situações de urgência. É assim na educação, com o exemplo que o caos dos exames deu do resultado do desmantelamento do Ministério da Educação e da entrega dos seus serviços a empresas privadas, ou das dificuldades que milhares de famílias enfrentam por estas semanas com as despesas inerentes à abertura do ano lectivo.

É o PCP que está em condições de fazer esta denúncia, de encorajar o protesto e a luta, de afirmar as soluções e os caminhos alternativos que se impõem. O reforço do Partido, em todos os aspectos decididos pelo Comité Central na sua “Resolução sobre o Partido e o reforço da sua organização e intervenção Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”, é indispensável neste quadro.

A realidade do País estará presente na Festa do Avante!. A pouco mais de três semanas da sua realização, a Festa do Avante! assume agora prioridade no trabalho dos militantes e das organizações e do Partido, em todos os aspectos que a sua realização implica, seja no plano político, de construção e de preparação do funcionamento de todos os espaços e serviços, mas sobretudo de divulgação e mobilização da Festa. Estão longe de estar esgotadas todas as possibilidades de dar a conhecer a Festa, o seu programa e o seu carácter único a muitos milhares de jovens e trabalhadores, de dizer aos que há alguns anos não nos visitam que é hora de voltar à Quinta da Atalaia, que a esta Festa, neste momento particular da nossa vida colectiva, no país e no mundo, não se pode mesmo faltar.

Esta edição do Avante! publica-se no exacto dia em que se cumpre o centenário do nascimento de Fidel Castro, a que o jornal dá expressão. Por estes dias e neste âmbito, o Secretário Geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, encontra-se em Cuba, onde participa no I Colóquio Internacional “Fidel, legado e futuro”, no qual usou da palavra na sessão inaugural, bem como num fórum de parlamentares que terá lugar na mesma ocasião. Esta visita de Paulo Raimundo a Cuba é uma expressão das relações de amizade entre o Partido Comunista Português e o Partido Comunista de Cuba, representa a justa valorização do legado libertador de Fidel e é expressão da posição solidária do PCP para com a revolução cubana.