100 anos com Fidel na luta que continua
Faz hoje, 13 de Agosto, um século desde o nascimento de Fidel Castro. Em Cuba e um pouco por todo o mundo são várias as iniciativas que assinalam a data e, sobretudo, o legado revolucionário, internacionalista e solidário do principal dirigente da Revolução Cubana, revolução essa que resiste corajosamente em condições particularmente adversas. E que continua a apontar-nos o caminho do progresso e da justiça social.
A coragem, patriotismo e resistência do povo cubano tem muito do exemplo do seu mais destacado dirigente revolucionário
Falar de Fidel Castro é falar de uma das mais marcantes personalidades do século XX, de um revolucionário que liderou a revolução socialista “dos humildes, pelos humildes e para os humildes” a poucos quilómetros da maior potência imperialista do mundo, os EUA. É falar de um estadista que dirigiu um país que foi capaz de eliminar injustiças sociais, raciais e sexuais fortemente enraizadas, garantir a todos amplos direitos políticos, económicos, sociais e culturais e provar que “sim, é possível!” construir uma sociedade centrada na satisfação das necessidades humanas.
Falar de Fidel Castro é falar de um internacionalista, que colocou os recursos do seu pequeno país ao serviço da luta de outros povos pela liberdade, a independência e o direito ao desenvolvimento – do Vietname à Argélia, de Angola à Namíbia, da África do Sul à Venezuela, da Nicarágua ao Brasil. É falar de uma voz incansável na denúncia da guerra, da globalização capitalista, da exploração de países e povos por um punhado de grandes potências, das relações económicas desiguais e do seu rasto de miséria e atraso. É falar de um abnegado combatente pela necessária unidade anti-imperialista.
Legado que continua
Desaparecido fisicamente em 2016 (fará no final deste ano uma década), o legado de Fidel Castro permanece vivo na revolução que liderou e que prossegue hoje, em condições extremamente adversas, a construção de uma sociedade assente na justiça social, no desenvolvimento humano e na solidariedade internacionalista. E tão importante é este exemplo num mundo dominado pelo imperialismo e por isso profundamente desigual, injusto e violento – um mundo em que uma mão cheia de multimilionários concentram mais riqueza do que muitos países somados e que o poderio económico e militar ainda dita as regras. Cuba é também um farol.
No momento em que Cuba se encontra confrontada com uma ofensiva violenta e multifacetada dos EUA visando o derrube da Revolução – naquele que é porventura o mais grave período da sua história –, a coragem, o patriotismo e a resistência de que o povo cubano deu e dá provas tem muito do exemplo do seu mais destacado dirigente revolucionário. O mesmo que um dia afirmou que «Revolução é o sentido do momento histórico, é mudar tudo o que deve ser mudado».
Ora, é precisamente isso que fazem hoje os revolucionários cubanos para defender a sua soberania e a sua Revolução, certos de que – como também afirmou o Comandante em Chefe – «não há força no mundo capaz de esmagar a força da verdade e das ideias».
Fidel por ele próprio
«A nação revolucionária inteira, posta de pé, não tem de temer nada nem ninguém.»
26 de Outubro de 1959
«O que os imperialistas não nos podem perdoar é que estamos aqui; o que os imperialistas não nos podem perdoar é a dignidade, a firmeza, a coragem, a solidez ideológica, o espírito de sacrifício e o espírito revolucionário do povo cubano. É isso que eles não podem nos perdoar: (…) realizarmos uma revolução socialista bem debaixo do nariz dos Estados Unidos!
(…) Esta é a revolução socialista e democrática dos humildes, pelos humildes e para os humildes. E por esta revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes, estamos prontos a dar nossas vidas.»
16 de Abril de 1961
«Não creio que haja um único cubano que tenha a menor dúvida sobre o esforço que foi feito pela saúde do povo – tragédia que milhões de pessoas conheceram neste país, famílias que viram morrer milhares e dezenas de milhares e centenas de milhares dos seus filhos, e poderiam ser calculadas matematicamente –, não creio que haja ninguém, e muito menos quem tenha tido a oportunidade de conhecer o interior do país, que tenha a menor dúvida sobre a necessidade imprescindível dos serviços médicos estabelecidos pela revolução ao preço de qualquer sacrifício.»
26 de Julho de 1970
«O Vietname demonstrou que era possível lutar contra as forças intervencionistas do imperialismo e vencer. Os Sandinistas venceram contra um dos títeres mais poderosos dos Estados Unidos da América. Os revolucionários salvadorenhos estiveram quase a alcançar a vitória. Em África, o apartheid, mesmo tendo em seu poder armas nucleares, foi derrotado. A China, graças à luta heróica dos seus operários e camponeses, é hoje um dos países com mais perspectivas do mundo. (…) Nem todas as épocas, nem todas as circunstâncias, requerem métodos iguais nem as mesmas tácticas. Mas nada poderá deter o curso da história, as suas leis objectivas têm validade permanente.»
17 de Outubro de 1997
«As soluções para a humanidade não virão da boa vontade dos que hoje são os donos do mundo e o exploram, mesmo que não possam sonhar ou conceber outra coisa que o carácter perene do que constitui o céu para eles e o inferno para o resto da humanidade (…). A ordem económica que hoje prevalece no planeta cairá inevitavelmente.»
1 de Janeiro de 1999
«Revolução é o sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar os outros como seres humanos; é emancipar-se por nós mesmos e com nossos próprios esforços; é desafiar as poderosas forças dominantes dentro e fora da esfera social e nacional; é defender os valores em que se acredita ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, abnegação, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é jamais mentir ou violar princípios éticos; é a profunda convicção de que não há força no mundo capaz de esmagar a força da verdade e das ideias. Revolução é unidade, é independência, é lutar por nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que é a base do nosso patriotismo, do nosso socialismo e do nosso internacionalismo».
1 de Maio de 2000
«Ninguém deve ter o direito de fabricar armas nucleares, muito menos exercer o privilégio imposto pelo imperialismo para sustentar o seu domínio hegemónico e despojar os países do Terceiro Mundo dos seus recursos naturais e matérias-primas. (…). É imperioso pôr termo, à escala mundial, à arrogância, aos abusos, à lei da força e do terror.»
17 de Novembro de 2005
Uma vida de olhos postos no futuro
1926: nasce em Birán, no Oriente de Cuba, Fidel Alejandro Castro Ruz
1950: conclui o curso de Direito na Universidade de Havana
1953: dirige, a 26 de Julho, o ataque ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba. A 16 de Outubro, no julgamento dos sobreviventes – no decurso do qual é condenado a 15 anos de prisão –, faz uma defesa em que esboça o programa político revolucionário: «A História absolver-me-á», afirma na ocasião.
1955: na sequência de uma campanha geral de amnistia, é libertado da prisão e funda o Movimento 26 de Julho. Prepara, no México, a expedição do Granma.
1956: desembarca em Cuba com os seus companheiros, iniciando-se a guerra revolucionária.
1959: entra em Santiago a 1 de Janeiro e convoca uma greve geral, consolidando o triunfo da Revolução. No dia 8, entra em Havana e mais tarde assume as funções de primeiro-ministro.
1961: em Abril, dirige de perto a resposta à invasão mercenária de Playa Girón e proclama o carácter socialista da Revolução. Em Dezembro, declara Cuba “território livre de analfabetismo”.
1963: lê a carta de despedida de Che Guevara.
1976: eleito Presidente do Conselho de Estado.
1979: eleito Presidente do Movimento dos Países Não Alinhados.
1990: por sua iniciativa, chega a Cuba para tratamento médico o primeiro grupo de crianças vítimas do acidente nuclear de Chernobyl.
1991: recebe em Cuba Nelson Mandela.
1998: discursa perante uma multidão em Matosinhos, à margem da Cimeira Ibero-Americana realizada em Portugal.
1999: assiste à tomada de posse de Hugo Chávez como Presidente da Venezuela.
2006: delega todos os cargos em Raul Castro e noutros camaradas.
2016: em Abril dirige-se ao VII Congresso do Partido Comunista de Cuba, em Agosto assiste a um evento no Teatro Karl Marx, a propósito dos seus 90 anos. Morre a 25 de Novembro: as suas cinzas percorreram o país e estão depositadas no Cemitério Santa Efigénia, em Santiago de Cuba, perto dos restos mortais de José Martí.




