«Fidel não é passado, Fidel é futuro»
O Secretário-Geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, participou no «I Colóquio Internacional – Fidel, legado e futuro» que decorreu em Havana, entre o dia 10 e hoje, 13, no quadro das comemorações do centenário do nascimento de Fidel Castro. Publica-se aqui, na íntegra, a intervenção do dirigente do PCP nesse importante evento.
No quadro desta participação Paulo Raimundo teve também um encontro com Miguel Diaz-Canel, Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, em que teve ocasião de expressar a solidariedade dos comunistas portugueses para com a revolução cubana.
Paulo Raimundo participou ainda e interveio no Fórum Parlamentar Internacional "Fidel e a Diplomacia Parlamentar", realizada na capital cubana.
«Camaradas e amigos da Revolução cubana, permitam-me que comece por transmitir ao camarada Miguel Díaz-Canel, ao camarada Raul Castro, aos comunistas e ao povo cubano, empenhados na luta em defesa da soberania de Cuba e da sua Revolução socialista, as saudações fraternas do Partido Comunista Português.
Contam hoje, como contaram sempre, com a firme solidariedade do PCP.
Uma solidariedade que assume particular significado neste exacto momento em que a agressão e as ameaças do imperialismo norte-americano contra Cuba ganham novos e perigosos contornos.
Uma solidariedade que não fica à espera, que toma a iniciativa de dar a conhecer e elevar a consciência sobre o exemplo de determinação, de coragem, de dignidade de Cuba, do povo cubano, pelo que significa, pelo que demonstra, pelo que conquista, de capacidade de resistência e luta numa situação tão difícil e exigente.
Exemplo de luta e resistência
É neste quadro exigente e desafiante que se realiza este Colóquio, onde temos a honra de participar.
Fidel não é passado, Fidel é futuro. Na sua obra, na sua prática, na sua ligação com o povo, no seu pensamento e palavra, no seu legado, encontram-se importantes contribuições para as respostas que são hoje necessárias para que o povo cubano enfrente mais um desafio, um desafio que é também de todos os povos do mundo.
A mensagem de confiança na força invencível da luta dos trabalhadores e dos povos que Fidel nos lega constitui uma arma valiosa para enfrentar a ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo e as ameaças que esta faz pairar sobre a Humanidade, derrotar a ofensiva ideológica sobre o dito “fim da história” e a mentira de que “não há alternativa” ao domínio do Capital.
Essa mensagem de Fidel, esse exemplo de luta, resistência e avanço, contribuem para prosseguir com determinação a luta por um futuro melhor, com a consciência de que grandes perigos coexistem com grandes potencialidades de transformação progressista e revolucionária.
Legado inspirador
O pensamento e a obra de Fidel constituem um legado precioso, não só para os comunistas com o seu projecto de superação revolucionária do capitalismo, mas também para quantos lutam por uma sociedade mais livre e mais justa, para todas as forças anti-imperialistas, progressistas e amantes da paz. De entre as experiências e os factores de inspiração que a vida e o pensamento de Fidel encerram, e à luz da própria experiência do PCP e da Revolução Portuguesa, creio dever sublinhar particularmente:
– a profunda identificação com as tradições patrióticas e as aspirações de soberania, liberdade e justiça social do povo cubano;
– o empreendimento criativo de um caminho revolucionário em que, com as suas particularidades, esteve sempre presente o papel decisivo dos trabalhadores e do povo na transformação da sociedade;
– a fidelidade ao ideal e ao projecto comunista e a coragem, persistência e confiança com que procurou resposta para os complexos problemas da construção da nova sociedade, do socialismo, em permanente resistência, confronto e resposta face à agressão do imperialismo;
– a consideração do insubstituível valor da teoria, o marxismo-leninismo, e do papel dirigente do partido comunista na luta pela superação revolucionária do capitalismo;
– a comprovação prática de que patriotismo e internacionalismo são inseparáveis. Fidel e a Revolução cubana escreveram das mais belas páginas do combate anticolonialista e anti-imperialista.
Particularmente memorável é a sua contribuição para defender a independência de Angola e para a liquidação do criminoso regime do apartheid na Africa do Sul e da sua acção terrorista na África Austral. Assim como o processo de cooperação e soberania latino-americano e caribenho, que deve muitíssimo ao pensamento e à acção de Fidel e da Revolução Cubana, um processo de cooperação e soberania que o imperialismo norte-americano está empenhado em reverter.
Coragem e dignidade
Foi com Fidel e com o legado de Fidel que, num contexto externo adverso, Cuba alcançou notáveis êxitos no caminho do socialismo tornando-se um exemplo e um estímulo para a luta dos povos da América Latina e Caraíbas e de todo o mundo.
A simpatia que o exemplo de coragem e dignidade que a Revolução cubana despertou e desperta entre os explorados e oprimidos, em particular junto das novas gerações, é muito grande.
É isso que o imperialismo não tolera e tudo fará para impedir. A começar pelos EUA que constantemente fabricam pretextos para tentar “justificar” o criminoso bloqueio e mesmo uma agressão militar, como é patente com o insidioso “relatório” do Departamento de Estado intitulado “Cuba: a capital do comunismo do século XXI”, que o Governo cubano justa e firmemente desmascarou.
Confiança na força da luta
Para o PCP, que trava um duro combate em Portugal contra as forças do grande capital que pretendem levar até ao fim o ataque às conquistas da Revolução de Abril, e quando na sequência de uma intensa luta dos trabalhadores, incluindo duas greves gerais, foi derrotada a violenta ofensiva do pacote laboral contra os direitos dos trabalhadores, o legado de Fidel constitui uma mensagem poderosa de confiança na força da luta. Confiança que expressamos na palavra de ordem “Luta, caminho da vitória”.
Caminho da vitória em que se insere a solidariedade de sempre dos comunistas portugueses para com Cuba, o povo cubano o seu Partido Comunista e a sua Revolução socialista. É por este caminho de amizade e solidariedade recíproca entre o povo português e o povo cubano, de aprofundamento das relações entre Portugal e Cuba, que vamos continuar. Aqui reafirmamos que podem contar com o empenho do PCP para prosseguir e reforçar este caminho.
Cuba não está só
A nossa solidariedade não é apenas um acto simbólico, é um dever revolucionário que assumimos e é um dever de todos quantos abraçam os valores da verdade, da liberdade, da justiça, da soberania, da democracia, da paz.
Enquanto outros impõem bloqueios, sanções, a guerra e a exploração, Cuba distribui médicos e vacinas, Cuba dá aos povos o que pode em solidariedade e cooperação, e essa é também uma razão acrescida para que esses povos e todos os povos do mundo se mobilizem pelo povo cubano.
Estamos confiantes que o povo cubano, unido em torno do Partido Comunista de Cuba, encontra, enfrentando todas as dificuldades, as soluções e os caminhos para superar os problemas e prosseguir a sua Revolução.
Cuba não está só, ela tem a solidariedade de todos os que anseiam e intervêm por um mundo mais justo, de paz e progresso social.
Com a coragem e dignidade do povo cubano, com a solidariedade dos povos do mundo, inspirados pelo legado de Fidel, Cuba vencerá!»
(Título e subtítulos da responsabilidade da redacção)




