- Nº 2750 (2026/08/13)
Um dos economistas do sistema, na acepção de classe do termo, questionava-se dias atrás sobre a razão do preço dos combustíveis não cair ao ritmo que aumenta. Dizia, face ao facto das descidas da cotação do petróleo demorarem mais tempo a chegar aos consumidores do que as subidas, que «ninguém percebe porque é que descidas não acompanham a velocidade das subidas». Talvez porque João Duque tenha ouvido falar do que se conta quanto ao que a maçã de Newton contribuiu para explicar a razão por que os objectos caem no solo, não entenda porque é que a lei que determina esse movimento natural não conhece aplicação no caso citado. Verdade ou ficção, a história da maçã é um símbolo de como a observação do quotidiano pode inspirar descobertas realmente revolucionárias. No caso, não se exigiria a Duque a aceitação revolucionária da constatação mas tão só a mera observação do que está à vista – a acção especulativa no lugar da lei da gravidade.
Fazendo justiça de reconhecer de que não se está perante alguém “aluado” – espaço onde a gravidade é inexistente o que poderia justificar a ignorância causal que o corrói – e conhecendo-se bem o seu comprometimento com os mecanismos de extorsão e acumulação que fazem florescer os grupos económicos não se descortina razão para a dúvida que o assola. É caso para parafraseando aquela conhecida asserção que culmina com «é a economia, ...», a substituir por uma não menos apropriada «é a especulação,...». Sim, esse processo de extorsão que à sombra da protecção pelos poderes dominantes possibilita uma arrecadação milionária de lucros pelos grupos económicos, no caso as petrolíferas. Não há razões que o iludam: a agressão ao Irão foi a porta por onde os interesses dos grupos económicos e das multinacionais do sector do petróleo (e do sector financeiro) jogam não apenas com margens de lucro muito acima dos valores de referência dos ditos mercados mas também com a gestão de expectativas. Os lucros recorde divulgados por vários destes grupos no primeiro semestre falam por si e correspondem a um descarado aproveitamento da situação que tem contado com a conivência quer do Governo PSD/CDS, quer da UE. Factos que parecem “escapar” a João Duque.