- Nº 2750 (2026/08/13)
Celebra-se o centenário do nascimento de Fidel Castro neste 13 de de Agosto. Em Cuba, e no mundo, evoca-se justamente o seu legado e a sua projecção no futuro, não se tratando de alimentar qualquer culto de personalidade ou estagnação na história. A figura de Fidel é incontornável na história do século XX, obreiro maior da revolução socialista cubana mas também grande referência da luta dos povos pela soberania, pela justiça social, pela paz e pelo socialismo. Conhecer e estudar o seu pensamento e contributo para a construção de um mundo livre, torna-se nos tempos actuais, fundamental na luta anti-imperialista.
No actual momento histórico que vivemos, em que o imperialismo norte-americano procura impor a sua hegemonia, recorrendo aos mais criminosos actos de guerra, sanções, bloqueios e chantagens, dos quais Cuba e o seu povo são uma das maiores vitimas, é imperativo ter presente o papel de Fidel Castro na denúncia do imperialismo, no combate que travou contra este até ao fim da vida, e no papel que a Revolução cubana sempre teve na solidariedade internacionalista.
Assim como o seu contributo e visão de progresso e bem-estar do seu povo, levando Cuba, em 67 anos de Revolução e debaixo de um criminoso bloqueio imposto pelos EUA, a ser referência mundial na saúde, na educação, na cultura, no desporto, com níveis de desenvolvimento que fazem invejar a maioria dos países do centro capitalista.
Mas é inegável que Cuba enfrenta um dos momentos mais difíceis na sua revolução. As sucessivas administrações norte-americanas nunca abandonaram o seu projecto inicial de derrota da revolução e restauração dos seus monopólios naquela ilha do Caribe e a génese do bloqueio sempre foi infligir o sofrimento do povo pela carência e privação.
Nos últimos meses, de forma retorcida, desumana e criminosa, a administração de Trump, escalou na agressão contra Cuba com a multiplicação de ameaças militares, aplicação de mais sanções e recrudescimento do bloqueio, inclusive no seu carácter extraterritorial, procurando o seu total isolamento. Cuba está sob cerco energético, impedida de efectuar transacções financeiras com bancos estrangeiros, milhares de contentores de bens essenciais não chegam a Cuba porque as transportadoras marítimas se recusam a fazê-lo - por receio das sanções norte-americanas, várias empresas estatais cubanas de sectores estratégicos estão impedidas de captar receitas externas para o Estado, entre muitas outras sanções.
Como afirmou Miguel Diaz Canel no acto inaugural do I Colóquio Internacional “Fidel: legado e futuro” que teve lugar em Havana nestes dias “A resposta do povo [perante a agressão dos EUA], sob a liderança do Partido Comunista de Cuba, tem sido uma resistência firme e criativa, unidade, defesa das suas conquistas e actualização do modelo económico e social, sem nunca renunciar aos princípios do socialismo e sem ceder à pressão ou à chantagem. Esta capacidade de resistir e de transformar está mais firmemente enraizada do que nunca no pensamento e nas acções do Comandante-Chefe Fidel Castro Ruz.”
Cuba e o seu povo não são nenhuma ameaça. São sim, uma afronta ao imperialismo, por resistirem há mais de 60 anos à sua agressão e não abandonarem o projecto de construção de uma sociedade alternativa ao capitalismo, mais justa e solidária, sem a exploração do homem pelo homem.