- Nº 2750 (2026/08/13)

Banca acumula lucros enquanto vida de todos se deteriora

PCP

Com os resultados do primeiro semestre recentemente apresentados, os cinco maiores bancos em Portugal anunciam lucros de 2.519 milhões de euros, valor que ascende os 14 milhões de euros por dia. Enquanto isso, salienta o PCP, o povo português vê-se confrontado com uma crescente falta de meios para satisfazer necessidades básicas.

2.519 milhões de euros é o valor dos lucros acumulados pelos cinco maiores bancos a operar em Portugal. Mais de metade desse valor – 1.346 milhões – foram obtidos através de taxas e comissões bancárias, aponta o PCP que afirma, em nota de imprensa de dia 5, que «estes lucros, em contraste com a situação difícil que atinge a maioria da população, são uma expressão das profundas injustiças que marcam a vida nacional». Acresce que grande parte destes lucros «vai parar ao estrangeiro», tratando-se a banca privada de um «real sorvedouro de recursos do País», com custos para a actividade económica, para os micro, pequenos e médios empresários,para os trabalhadores e as suas famílias.

«Os lucros revelados pela banca representam recursos extraídos directamente à economia nacional, extorquidos por via de taxas e comissões que urge limitar e mesmo pôr fim, como o PCP propõe», lê-se na nota.

Ao longo dos últimos anos, ao mesmo tempo que este sector acumula lucros crescentes, recorda o Partido, encerra centenas de balcões, serviços e caixas automáticas à população, despede milhares de trabalhadores, cujos direitos ataca, e reduz a sua presença no território, provocando diversos impactos sociais e económicos. Tudo isto, «em nome do lucro e dos dividendos dos grandes accionistas a quem a banca já prometeu a quase integral atribuição dos lucros».

Governos alinhados com o lucro

O PCP voltou a denunciar o constante alinhamento dos sucessivos governos com o capital financeiro: são as privatizações; o financiamento pelo Estado dos buracos da corrupção na banca; a prescrição de crimes de cartelização (agora limitada pela intervenção do PCP na Assembleia da República); violação das leis da concorrência; escandalosos benefícios fiscais de largos milhões de euros; extorsão de clientes através da cobrança de injustificáveis taxas e comissões; e a promoção da especulação imobiliária.

Para o Partido, a «dimensão destes lucros não são nem expressão das virtudes da banca nem da situação económica do País, mas sim a ilustração de uma política ao serviço do capital com a qual é preciso romper».