Argentinos contra políticas neoliberais de Milei
Perante a grave situação económica que enfrenta amplos sectores da população na Argentina, milhares de pessoas desfilaram no dia 20, em Buenos Aires, até ao Ministério da Economia, para exigir ao governo de extrema-direita de Javier Milei uma resposta perante o colossal aumento do endividamento familiar que, segundo dados do Banco Central, afecta cerca de 5,8 milhões de argentinos.
O protesto foi convocado pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), pela Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), pela CTA Autónoma, pela União de Trabalhadores e Trabalhadoras da Economia Popular (UTEP) e por associações de pessoas endividadas.
As organizações sindicais calculam que cerca de 20 milhões de pessoas na Argentina tenham algum tipo de dívida com entidades financeiras, das quais seis milhões estariam em situação crítica de endividamento. A CGT denuncia que «as famílias argentinas endividam-se para poder viver, para pagar a renda de casa, comprar comida, arcar com as despesas da luz e do gás». Um dirigente da CGT aponta responsabilidades: «Aqui há dois culpados e dois responsáveis: o presidente e o ministro da Economia. Conduzem uma política de cortes, regressiva e que espezinha os salários dos trabalhadores, destrói o consumo e todo o sistema produtivo».
Professores em luta
A Confederação Nacional de Docentes Universitários (Conadu) convocou para hoje e amanhã (27 e 28) uma nova greve de 48 horas nas universidades públicas da Argentina, exigindo melhores salários e o cumprimento pelo Governo da legislação que enquadra o financiamento das universidades públicas. A paralisação é apoiada por outros sindicatos de docentes, entre eles o Sindicato de Trabalhadores Docentes da Universidade de Buenos Aires.
A reivindicação ocorre num momento em que continua a não ser cumprida a Lei do Financiamento Universitário, ratificada pelo Congresso (parlamento) no ano passado depois do veto presidencial, mas ainda pendente de aplicação efectiva pelo Governo de extrema-direita de Javier Milei.
As universidades denunciam que não estão a receber as verbas previstas pela legislação, apesar de existirem decisões judiciais que obrigam a Casa Rosada (sede do governo) a cumprir a lei. A falta de recursos afecta tanto o funcionamento quotidiano das instituições como os salários e as bolsas dos estudantes.
Uma outra exigência dos grevistas é a situação dos trabalhadores. Os sindicatos contestam os aumentos salariais dos últimos meses porque estão muito abaixo da inflação e não foram definidos por negociação. Desde Dezembro de 2023, os docentes perderam cerca de um terço do poder de compra e necessitariam de um aumento salarial superior a 50% para o recuperar.
Os sindicatos dos professores alertam que podem ampliar a luta se o Governo não der respostas às suas reivindicações.




