PCP no Porto de Sesimbra a ouvir as angústias da gente do mar

O elevado preço dos combustíveis e a sustentabilidade da actividade piscatória a longo prazo foram algumas das principais queixas transmitidas ao Secretário-Geral do PCP, que visitou o Porto de Sesimbra no passado dia 20.

O aumento brutal do preço dos combustíveis agravou as condições de vida dos pescadores

O Secretário-Geral do PCP passou toda a manhã a contactar com os pescadores, sobretudo para ouvir os seus relatos da dura vida do mar, as suas propostas para melhorar as condições de trabalho e as suas queixas face a opções políticas que não apoiam quem tem toda uma vida de labuta em condições por vezes tão duras. A maior parte dos que ali estavam àquela hora preparavam as redes e os engenhos para as pescarias futuras: desembaraçavam cabos, prendiam anzóis, reparavam redes e armadilhas. Os gestos, de repetidos tantas vezes, dispensavam já o olhar e a atenção e permitiam longas conversas sem que por um segundo o trabalho parasse.

Com as nuances que as diferentes histórias pessoais sempre têm, a maioria dos relatos tinham muitas semelhanças entre si. Contavam vidas de trabalho duro e por vezes arriscado a troco de muito pouco: na maior parte dos casos, os rendimentos dos pescadores estão directamente ligados ao resultado da pesca, com a agravante de que hoje o brutal aumento do preço dos combustíveis consome à partida muito do que resulta da venda do peixe na lota.

Apesar do esmagamento do preço pago aos pescadores, é cada vez mais o que os consumidores pagam pelo peixe nos supermercados. O excedente fica nos lucros crescentes dos intermediários da grande distribuição comercial.

Dos pescadores, o Secretário-Geral ouviu ainda queixas acerca dos apoios públicos, agora a propósito das tempestades. Para lá de insuficientes, chegam tarde e são muitas vezes mal distribuídos.

Valorizar quem trabalha e trabalhou

O baixo rendimento do trabalho explica em grande medida o reduzido número de jovens que procuram trabalho na pesca, o que para muitos daqueles pescadores ameaça seriamente a sustentabilidade daquela actividade. Muitos dos que hoje se fazem ao mar são imigrantes oriundos sobretudo de Marrocos, Indonésia e Senegal: bons trabalhadores, esforçados e que aprendem depressa, segundo disseram os pescadores mais velhos, que hoje desempenham sobretudo funções em terra, altamente especializadas. O parco valor das reformas auferidas ao fim de longas vidas de trabalho, e que levam a que muitos tenham de continuar a trabalhar (aos 71, 75 e até aos 79 anos, como ali encontrámos), é outra das preocupações mais sentidas.

A imposição de quotas para certas capturas foi outra das questões que surgiu, pois estas tanto são cobertas pelos grandes arrastões que pescam uma tonelada de peixe como por uma pequena embarcação que pesque apenas 100 quilos, prejudicando seriamente os rendimentos dos pequenos pescadores.

Entre redes e anzóis, armadilhas e caixas de gelo, peixe espada preto e polvos, Paulo Raimundo entrou em praticamente todas as portas, acompanhado pelo vereador da Câmara Municipal, José Polido, o presidente da Junta de Freguesia do Castelo, Vítor Cruz, o membro da Comissão Política João Frazão e outros dirigentes regionais e locais do PCP. Deixando em todas elas a garantia de que os comunistas continuarão a ser, no ponto de vista político, os principais defensores da gente do mar e deste sector estratégico para o País.

 



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