- Nº 2753 (2026/09/3)Os EUA prorrogaram até Setembro de 2027 o bloqueio contra Cuba. O governo cubano denunciou que a política genocida norte-americana visa asfixiar uma nação inteira. Em Cuba, apesar de todas as dificuldades, o ano escolar arrancou, envolvendo um milhão e meio de alunos.
No dia 25 de Agosto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, condenou nos termos mais enérgicos a decisão do governo dos EUA de estender por mais um ano o bloqueio económico, comercial e financeiro contra Cuba, assinalando que esta medida ocorre no momento mais cruel da ofensiva norte-americana contra este país caribenho. O diplomata qualificou de genocida a política que os EUA impõem ao povo cubano há mais de seis décadas.
«A renovação da chamada Lei de Comércio com o Inimigo até Setembro de 2027 não é um acto administrativo menor, mas a confirmação de que Washington persiste no seu propósito de asfixiar uma nação inteira», enfatizou Bruno Rodríguez.
O quadro das sanções unilaterais e ilegais aplicadas pelos EUA tem os seus antecedentes em 1960, quando Washington estabeleceu as primeiras medidas coercivas na sequência da nacionalização de propriedades de empresas norte-americanas após o triunfo da Revolução Cubana, em 1959. As medidas endureceram em 1962 até se transformarem num bloqueio económico, comercial e financeiro quase total, que posteriormente se reforçou através de instrumentos jurídicos como a Lei Helms-Burton de 1996, que intensificou o seu carácter extraterritorial. Apesar deste carácter extraterritorial punitivo da referida lei enfrentar uma ampla rejeição por parte da esmagadora maioria dos Estados do mundo, mantém-se em vigor mais de seis décadas depois.
Do seu lado, as autoridades cubanas denunciam este cerco económico, comercial e financeiro, somado ao recrudescido bloqueio energético desde Janeiro deste ano, como causa principal da situação económica de Cuba e das carências que atingem neste momento o povo cubano.
Cuba resiste: ano escolar arranca
O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, destacou que o início do ano escolar, em 1 de Setembro, quando mais de um milhão e meio de crianças e adolescentes regressaram às aulas, demonstra que o país não se encontra em colapso.
Em finais de Agosto, depois de visitar diversas instituições educativas para acompanhar os preparativos, o chefe do Estado agradeceu ao sector educativo, aos responsáveis locais e às famílias todo o trabalho de preparação do início do novo ano lectivo, ao mesmo tempo que vincou que «juntos defendemos as conquistas sociais da Revolução Cubana».
Por sua parte, a ministra da Educação, Naima Trujillo, confirmou estarem reunidas as condições para o começo das aulas a nível nacional, apesar das dificuldades geradas pelo recrudescimento do criminoso bloqueio pelos EUA, e anunciou que os centros educativos contarão com horários de abertura flexíveis.
Em províncias como Santiago de Cuba, os preparativos abarcaram mais de um milhar de instituições educativas que vão garantir serviços em diversas comunidades. A cobertura docente ultrapassa os 98%, graças à contratação de recém-formados na área pedagógica e ao envolvimento de estudantes universitários. Foram distribuídos materiais básicos e luminárias recarregáveis e adequadas aos centros educativos.
EUA sanciona médicos cubanos
Os EUA bloquearam as contas bancárias da missão de cooperação médica cubana que opera na região italiana da Calábria. Foi em Agosto de 2022 que as autoridades regionais formalizaram o acordo com Cuba com vista à integração de 500 médicos no sistema de saúde da região. Esta cooperação prosseguiu a iniciada em 2020,quando brigadas do Contingente Médico Henry Reeve, especializado em epidemias e catástrofes naturais, foram enviadas para cidades na Lombardia e no norte do país, durante a pandemia de Covid-19.
A Associação Nacional de Amizade Itália-Cuba condena a medida assumida pelos EUA, que prejudica os médicos cubanos e a prestação de cuidados de saúde a cidadãos italianos. A associação denuncia o que considera ser uma «flagrante violação do direito internacional e da soberania dos países» e rejeita a intenção dos EUA de expandirem as suas «decisões unilaterais» para lá das suas fronteiras. Os médicos cubanos, acrescenta, realizam «um trabalho extraordinário, valioso e indispensável» em regiões da Itália que há muito sofrem da escassez de profissionais e de cuidados de saúde.
CPPC solidário com o Instituto Cubano de Amizade com os Povos
O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) manifestou a sua solidariedade com o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), com o seu presidente, Fernando González Llort, com a sua primeira vice-presidente, Noemí Rabaza Fernández e com a directora para a América do Norte, Leima Martínez Freire, face às inaceitáveis e injustificadas sanções de que foram alvo pela administração norte-americana.
Os referidos responsáveis são alvo de uma inadmissível medida de coerção por parte dos EUA, não por quaisquer ditas «actividades malignas» ou «ameaças à segurança nacional e à política externa dos EUA», como falsa e hipocritamente alega a administração norte-americana, mas por, em conjunto com o seu povo, serem «um corajoso e determinado exemplo de defesa do direito de cada povo a decidir soberana e livremente o seu caminho, da Paz, da solidariedade, da amizade e da cooperação entre todos os povos».
Estas sanções ilegal e unilateralmente impostas pelos EUA contra o ICAP constituem mais uma expressão da política da agressão que, há décadas, atinge Cuba e o seu povo, procurando obstaculizar o desenvolvimento da acção e relações que o povo cubano construiu e mantém com os povos e inúmeras organizações por todo o mundo em prol da solidariedade, da amizade e da cooperação.
O CPPC reitera, no seu comunicado, o seu compromisso de prosseguir e dar mais força à solidariedade com Cuba, denunciando a agressão e as ameaças dos EUA, a tentativa de estrangulamento económico de Cuba, com recrudescimento do criminoso e genocida bloqueio e a cínica colocação de Cuba na arbitrária lista dos EUA de «países patrocinadores de terrorismo», quando são os EUA que promovem uma persistente acção de terrorismo de Estado contra Cuba.