- Nº 2754 (2026/09/10)
A Festa das crianças

O direito a brincar (e a aprender brincando) é mesmo para cumprir

Festa do Avante!

«Não há Festa como esta!», ouve-se de quem, ano após ano, há 50 anos, a constrói. Nada mais verdadeiro depois de se analisar o programa! Nada mais comprovado pela primeira que se viva. E que o digam as crianças… com um espaço próprio com programação própria.

Da modelagem de balões, à plasticina, contos ou leituras e brincar ao malabarismo. Oficinas a partir de livros num convite ao desenho e à pintura, trabalhar a plasticina, construir instrumentos musicais utilizando materiais recicláveis. Com Marta Castro houve Estórias à dentada, abrindo um livro aprenderam a semear o futuro. Também houve oficinas de dedoches para explorar cores e formas e inventar personagens fantásticas para os dedos. Todas as iniciativas muito paticipadas, para além das actividades livres. Igualmente participadas.

A aula de Língua Gestual Portuguesa desenvolvida pelo professor António Pestana, da Associação de Surdos do Concelho do Seixal, terá sido uma das mais entusiasmadas. Cumprimentos e família estiveram no centro da aprendizagem, mas também as cores e os dias da semana. Contadores e criadores de histórias, pôr as mãos na massa, que é como quem diz no gesso ou na plasticina, criando, questionando; cantando e dançando ao som de Manuel Pires da Rocha e Amigos no Baile das Canções do José Barata-Moura, num convite à família, pois foi claro que canções como “O Galo Badalo, a Galinha Balbina, o Pinto Jacinto e o Peru Glu-Glu” ou a popular “come a papa, Joana, come a papa” atravessaram gerações pela forma como pais e amigos acompanhavam os destinatários preferenciais do espaço e da programação. Debater, ali, é mesmo trocar ideias! Através das escolhas dos mais pequenos do que consideram que todas as crianças devem ter, escreveram a própria constituição com a obrigatoriedade de que seja mesmo cumprida, uma vez que o que desejaram ali são direitos que já lhes estão dedicados na Constituição de Abril. Também a diversidade cultural foi debatida, resultando na criação de um livro comunitário com o apoio de Um Colectivo, abordando a cultura cigana e a sua história.

Através da história de Nassim, jovem marroquino que arriscou tudo ao tentar quatro vezes atravessar o estreito de Gibraltar, em busca da felicidade, plasmada no texto de António Lains Galamba, cimentou-se a clara mensagem de que ninguém é ilegal! O 25 de Abril, sempre tema presente na Festa e com destaque naquele espaço, teve pontos preponderantes na 50.ª edição e nos 52 anos da Revolução pelas abordagens aos livros Sempre!, de Rita Taborda Duarte e Madalena Matoso, e Celeste dos Cravos, de Carolina Caeiro Fontela.

O Espaço Criança tem casas-de-banho específicas e não esquece o cuidado aos bebés, pelo que os pais têm bem perto dali um sítio para trocar fraldas e micro-ondas para aquecer leites, papas e sopas ou, simplesmente, descansar um pouco. Espaços que estão pela Festa.

Os mais pequenos são mesmo centrais. Se é verdade que têm esses espaços que lhes são destinados, toda a Quinta da Atalaia está pensada para que ser criança se cumpra ali. Nos 50 anos de uma festa que é única no panorama da Cultura em Portugal, foi tratada com especial atenção a defesa do crescer com direitos. E brincar e estar presente são direitos da criança! De uma maneira geral, todos os espaços têm programação adequada aos mais novos, senão específica para eles.

Houve Notas de Liberdade, numa sessão musical para famílias com crianças, e Teatro de Robertos, no Espaço Regional de Lisboa; “Canções e Bailinhos”, na Organização Regional de Setúbal; oficinas de crochet no Espaço da Organização do Porto, com a participação de dezenas de pequenos e grandes que quiseram experimentar esta técnica de trabalho manual ou dar continuidade ao que iniciaram em 2025. O Espaço Ciência é outro cuja programação dedica particular atenção à criançada, bem como o Cineavante, com a Monstra à Solta 2026, e o Avanteatro apresentando Volta ao Mundo em 80 Caixas foi outro exemplo.