- Nº 2754 (2026/09/10)
“A Fidai Film” (2024), de Kamal Aljafari, abriu a programação do CineAvante na sexta-feira. A partir do saque do Centro de Estudos Palestinianos, em Beirute, em 1982, Aljafari intervém sobre imagens roubadas para «contar uma história mais ampla: a história da ocupação da Palestina e da destruição da história e da memória palestinianas», afirmou numa entrevista a Raquel Schefer. Ângelo Alves, da Comissão Política do CC do PCP, sublinhou que no filme «a memória é um acto de luta e de solidariedade com o povo da Palestina».
Nas manhãs de sábado e domingo, a Monstrinha trouxe dois programas de animação para os mais novos, sobre amizade, comunidade, relações entre gerações e ambiente. Tiago Galrito, da Monstra, salientou que o cinema de animação permite «explorar várias áreas do sentimento, do pensamento e da sociedade» e refletir sobre o mundo passado, presente e futuro.
Na tarde de sábado, o CineAvante debateu a exibição cinematográfica em Portugal com Lurdes Martins, da Federação Portuguesa de Cineclubes, Carlos Coelho, Rita Correia, do Cineclube de Santarém, e Pedro Fernandes Duarte, do PCP, com moderação de Marta Pinho Alves. Martins defendeu o apoio às salas e à programação cineclubista; Correia destacou os cineclubes como espaços de comunidade e formação de públicos; Duarte defendeu que as populações possam «construir o seu próprio acesso à cultura», com políticas públicas de apoio à exibição.
Sábado à noite, Porque Hoje é Sábado (2025), de Alice Eça Guimarães, acompanhou uma mulher entre o trabalho doméstico e a evasão. A realizadora ligou o filme à «carga mental», ao «trabalho invisível» e à necessidade de um espaço próprio para criar. Em Noites Mais Fáceis (2025), de João Pedro Mamede, uma jovem enfrenta um trabalho de escritório mecânico e esvaziado de sentido, onde a conformidade parece condição para pertencer. O Rendeiro (1975), de Luís Gaspar, revisitou a luta dos rendeiros no pós-25 de Abril; José Filipe Costa enquadrou-o na vontade de «dar voz às pessoas que não tinham voz». Entroncamento (2025), de Pedro Cabeleira, encerrou a noite, acompanhando uma jovem entre emprego, pequeno crime, violência e precariedade. Ana Vilaça convidou o público a «refletir sobre este Portugal que estamos a viver hoje».
No domingo, Rio Infinito (2025), de Gonçalo Pina, retratou trabalhadores que atravessam diariamente o Tejo, enquanto Complô (2025), de João Miller Guerra, acompanhou Ghoya, rapper crioulo e activista político. Stéphane Pires levou pela primeira vez o podcast Postal-Filme para fora do estúdio, prosseguindo a «promoção do cinema português». Gonçalo Pina destacou o «trabalho invisível» que torna possível a Festa. João Miller Guerra definiu o CineAvante como «um espaço de liberdade» e «de resistência», e Ghoya salientou a importância de «um espaço comum na cultura e na arte».